O sucesso dos jogadores japoneses tem um início: Kunishige Kamamoto é uma lenda no futebol nipônico
Apesar dos
sucessos recentes do Japão em competições internacionais, o ex-jogador ainda é
considerado a maior referência do esporte no país.
| Kunishige Kamamoto atuando ao lado de Pelé, em amistoso entre estrelas do Japão e o New York Cosmos em 1976 (Foto: Masahide Tomikoshi / TOMIKOSHI PHOTOGRAPHY) |
conhecimentos de todos que o futebol no Japão não para de evoluir nos últimos
anos, sendo que alguns nomes foram importantes para esse crescimento, como é o
caso de Zico, Toninho Cerezo e outros brasileiros, que alavancaram o esporte
na Terra do Sol Nascente, mas há um jogador local que começou a trilhar o
sucesso muito antes desses atletas consagrados chegarem.
Kunishige
Kamamoto pode ser pouco conhecido no mundo, mas na ilha do oriente é uma
estrela. Nascido na cidade de Kyoto, em 15 de abril de 1944, filho de policial
e mãe dona de casa, já mostrou desde pequeno que levava jeito para o futebol.
Por isso, quando ingressou na Universidade de Waseda conciliava o esporte com
os estudos, porém o gramado foi o que fez ganhar notoriedade nacional.
Atuando pela
instituição de ensino, o atacante conquistou a Copa do Imperador em 1963, com
um sonoro 3x0 frente o Hitachi, um dos grandes clubes à época em um período
amador do futebol japonês. O feito foi algo que chamou muita atenção e seu
desempenho já começou a atrair olhares da seleção nacional.
Sua primeira
convocação não demorou a acontecer, e no ciclo olímpico para os Jogos de Tóquio
de 1964, frente o selecionado de Singapura deixou sua marca anotando um gol na
vitória por 2x1. Um grande cartão de visita e enorme esperança para a
Olimpíada.
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| Vitória do Japão diante da Argentina por 3 a 2, em jogo válido pela segunda rodada da fase de grupos (Foto: Getty Images) |
A participação
nipônica foi razoavelmente boa nos Jogos, chegando até as quartas de final do
torneio quando foram eliminados pela antiga Tchecoslováquia por 4x0. Mas nosso
herói não passou em branco, balançando as redes em um tipo de semifinal dos
eliminados, quando fez o gol de honra do Japão na derrota frente a Iugoslávia
por 6x1.
Na caminhada
para os próximos Jogos Olímpicos de 1968 conquistou mais uma Copa do Imperador
e seu bom rendimento fez com o que o Yanmar Diesel, clube que atuava na Liga
Amadora Japonesa (JSL), o contratasse. Kamamoto brilhou no pré-olímpico,
balançando as redes 11 vezes em somente 5 jogos, selando a sua convocação mais
que certa para o torneio na Cidade do México.
Logo na
estreia da competição mostrou seu faro de gol, fazendo todos os gols da partida
na vitória frente a Nigéria por 3x1. No próximo compromisso um duelo contra o
Brasil, o resultado de 1x1 surpreendeu a todos, visto que o termo “japonês” era
conotado de forma pejorativa no Brasil quando se referiam a jogador ruim. Na
última rodada outro empate, dessa vez contra a Espanha e vaga garantida mais
uma vez às quartas do torneio olímpico.
O próximo
embate seria diante da França e, nesse cenário, que Kamamoto voltou a brilhar. O
placar de 3X1 para o Japão foi histórico, sendo que o atacante nipônico marcou
2 tentos. O sonho da medalha de ouro estava mais do que vivo e agora pela
frente vinha a forte seleção da Hungria. Mas foi aí que os japoneses acordaram
da odisseia, com uma derrota por 5x0 e agora a luta seria pela medalha de
bronze contra os donos da casa.
O lendário Estádio
Azteca estava entupido de torcedores mexicanos, que aguardavam um show dos
donos da casa, porém assistiram a um outro espetáculo. Kunishige Kamamoto foi a
grande atração do dia, marcando os gols da vitória por 2x0 em cima do México e
conquistando uma medalha de bronze para o Japão, sendo o artilheiro do torneio
com 7 gols.
Voltando ao
seu clube, Ynamar Diesel, Kamamoto continuou brilhando e jurou fidelidade ao
time. Prova disso é que nunca mais vestiu outra camisa no futebol. Um fato
curioso é que nosso grande atacante nipônico foi atleta profissional até o ano
de 1984, mas já acumulava a função de técnico desde 1978.
Seu prestígio
era tão grande que em sua despedida dos gramados nada mais nada menos do que
Pelé jogou alguns minutos ao seu lado. Nada mal pendurar as chuteiras assim. Depois
de comandar o Yanmar Diesel, Kamamoto surpreendeu e aceitou treinar o
Matsushita Eletric, maior rival do Yanmar e atual Gamba Osaka, nas primeiras
edições da J-League em 1993 e 1994.
Como nada na
vida de Kunishige Kamamoto é pacato, ele se aventurou em uma nova jornada,
dessa vez na política. Foi eleito para a Casa dos Conselheiros, equivalente ao
Senado, por 6 anos, até 2001. Porém, nesse período acumulou a função de
vice-presidente da Japan Football Association (JFA), cargo que ocupou até 2008.
Depois desse
breve resumo da carreira de Kamamoto, podemos imaginar que o futebol no Japão
deu um grande salto após sua bela carreira, influenciando vários japoneses no
esporte. Kunishige Kamamoto, portanto, também tem sua contribuição no sucesso
nipônico com a bola redonda.
Números de
Kamamoto:
Maior
artilheiro da seleção japonesa – 75 gols e 76 jogos.
7 vezes
artilheiro da JSL - A liga japonesa que antecedeu a J-League.
4 títulos da
JSL (1971, 74, 75 e 80).
3 da Copas da
Liga (1973, 83 e 84).
Medalha de
bronze nos Jogos Olímpicos de 1968, na Cidade do México.
Artilheiro dos
Jogos Olímpicos do México (7 gols em 6 jogos).
Segundo dados
do site Transfermarkt, foi o futebolista do ano no Japão por 7 vezes (1966, 68,
71, 74, 75, 80, 81).
Primeiro ídolo
e talvez o maior da história do futebol japonês.
SOBRE O AUTOR:
FILIPE PEREIRA | @FPereira05 - Estudante de jornalismo na Unip-DF. Atualmente sou estagiário na Secretaria de Representação do Tocantins em Brasília, escrevo pro Schalke 04 Brasil e agora vou em busca de informações do esporte na Terra do Sol Nascente. |


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