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"Faça o Japão ficar forte e derrote o mundo", diz Moriyasu em carta aberta escrita pelo técnico em 2018

A carta, que veio à tona por um internauta às vésperas da disputa dos Samurais Azuis por uma inédita vaga às quartas de final da Copa do Mundo,  conecta passado, presente e futuro do técnico e emocionou os torcedores japoneses

(Foto: Getty Images)

No dia 28 de outubro de 1993, a seleção japonesa empatava
com o Iraque e perdia a chance de disputar sua primeira Copa do Mundo. Essa
história já foi contada
e recontada
aqui no Japão FC e está sendo citada em, praticamente, qualquer postagem relacionada a Copa do Mundo.



Entre diversos personagens daquele fatídico dia, o meia
Hajime Moriyasu não era um dos nomes mais conhecidos daquele time, que contava
com Ruy Ramos e King Kazu, porém viria a se tornar tempos depois, principalmente após a histórica
classificação japonesa paras as oitavas de final da Copa do Mundo, a história
mais interessante que liga o passado com o presente.



Após se aposentar, Moriyasu treinou o Sanfrecce Hiroshima,
mesmo clube que atuou por 15 temporadas como jogador. Na nova posição, venceu
três vezes o Campeonato Japonês, duas supercopas e conseguiu a terceira colocação no mundial de clubes
no ano de 2015.



O sucesso no clube levou o treinador super identificado com
o time de Hiroshima, no ano de 2017, a assumir a seleção sub-23 do Japão,
visando os Jogos Olímpicos disputados em Tóquio. Após a Copa do Mundo de 2018 e
a queda para a Bélgica, assumiu a seleção principal para o ciclo da Copa do
Mundo no Catar, local de sua “agonia pessoal”.



Em 2018, após assumir o comando técnico dos Samurais Azuis,
Hajime Moriyasu escreveu uma carta para si mesmo, conectando passado, presente
e futuro. A  bonita e pesada carta, que foi publicada em uma página de jornal à época e veio à tona por uma postagem no twitter de um internauta, foi traduzida pelo nosso colaborador Rodrigo
Hiroshi
e pode ser lida a seguir:

Foto: reprodução da internet

"Para você, que teve o sonho destruído naquele dia.



35 partidas internacionais e um gol marcado.



Sem dúvidas, meus números defendendo a seleção não são
impressionantes, mas passei por frustrações e cresci a cada jogo.



Minha estreia foi em maio de 1992, no Estádio Nacional.



Eu era um desconhecido que entrava em campo pela primeira
vez pela seleção na Copa Kirin. A adversária era a poderosa seleção da
Argentina. Fomos derrotados por uma força arrasadora. Foi lamentável. Como
jogador, eu não queria que acabasse assim. Eu queria alcançar aquele nível. Eu
queria que o Japão se tornasse capaz de enfrentar os mais fortes do mundo. Na
verdade, eu queria ainda mais. Eu fui derrotado pelo mundo, mas ganhei um
sonho. Aquilo se tornou tudo para mim. Eu fiquei obcecado. Quando chegamos no
portão de entrada desse mundo, o sonho cruelmente desmoronou.



Outubro de 1993. Doha, Catar.



Aos 45 do segundo tempo, a bola passou pela minha cabeça, o
adversário cabeceou como se fosse em câmera lenta e a bola vagarosamente foi
para o gol. Eu só pude ficar olhando. Eu não lembro de muita coisa depois
disso. A gente se alinhou depois? Com quem eu conversei? Como voltamos para o
hotel? Quando recuperei a consciência, eu estava chorando na varanda do hotel.
Eu lamentei tanto e me culpei tantas vezes... E nesse maior fracasso que já
passei em minha vida, eu aprendi o seguinte: se você não vencer, não lhe resta
nada. Não tem nada que você possa obter sem a vitória.



25 anos depois, estou comandando a seleção japonesa. Nosso
desafio continua para que o sonho que deixei cair no meio do caminho possa se
tornar realidade. Nossa meta é o Catar, a terra do nosso destino. Por fim,
quero dizer algo para você, que teve o sonho destruído naquele dia. Faça o
Japão ficar forte e derrote o mundo. Já chorei lágrimas de remorso o
suficiente."



 



Hajime Moriyasu



Técnico da seleção japonesa



12 de dezembro de 2018









SOBRE O AUTOR:







BRUNO PERADOTTO | REDATOR | @brunoperadotto - Apenas mais um entusiasta de futebol e cultura japonesa. Bacharel em Ciências Econômicas e pós-graduado em Gestão de Pessoas, ambas pela PUCRS. Atualmente, um aspirante a treinador pela ATFA (Licença C e B), pós-graduando em Futebol e realizando um bacharel em Educação Física pela UFRGS.




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