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Japão repete a dose, vira sobre a Espanha e faz história na liderança do grupo da morte

No mesmo estádio da estreia e novamente
contra uma campeã do mundo, o filme se repete para os Samurais Azuis

Samurais Azuis fazem história mais uma vez no Khalifa International Stadium
(Foto: Getty Images)

No Estádio Khalifa, o Japão
iniciou a terceira rodada na segunda colocação, mas com um peso pela
surpreendente derrota para a Costa Rica, revés que evitou uma classificação
tranquila para os nipônicos e colocou em cheque a vaga nas oitavas de final; o
Japão voltava a precisar do resultado contra uma grande seleção, desta vez a
Espanha, campeã mundial em 2010 e concorrente ao bi doze anos depois. Além
disso, os asiáticos também tinham de ficar de olho na outra partida do grupo,
importantíssima para definir os classificados.


O primeiro tempo: Espanha controla, Japão não vê a bola e Morata deixa
os Samurais em apuros

Morata abriu o placar para a Espanha, para desespero dos japoneses
(Foto: Getty Images)

O torcedor e fã japonês
sabia que não seria fácil. Até “ontem”, a Hinomaru
nunca havia vencido uma campeã do mundo em Copa do Mundo, quando derrotou
historicamente a Alemanha na estreia da atual edição. Na rodada seguinte, um
fiasco diante de uma das mais fracas equipes do certame. Agora, o Japão
estava na corda bamba, mesmo que na segunda colocação, posição que lhe rendia
uma vaga à próxima fase.



A seleção nipônica havia
deixado escapar uma chance de ouro para garantir o passaporte ao mata-mata e
entrar “tranquilo” na última rodada, mas o futebol tem dessas. O empate, todavia,
bastava, mas seria necessário uma combinação de resultados na partida entre a
Costa Rica e a Alemanha. Subir a “montanha” novamente seria tarefa árdua, e ela
parecia ainda mais complicada quando a escalação foi anunciada.



Hajime Moriyasu insistiu: o
Japão entraria em campo sem Tomiyasu e sem Mitoma. Além deles, Sakai já era
ausência garantida, e a mais recente, era a do volante Endo, aterrorizando
ainda mais aqueles que acreditavam no triunfo japonês.



A equipe vinha agora com uma
linha de três protegendo o goleiro Gonda, formada por Ko Itakura, Maya Yoshida
e Shogo Taniguchi, a surpresa na escalação. O meio de campo contava com Junya
Ito, Ao Tanaka, Hidemasa Morita e Yuto Nagatomo — o primeiro e o último
recuavam o suficiente para formarem uma linha de cinco com os outros
defensores. No comando de ataque, estavam Daichi Kamada, Daizen Maeda e
Takefusa Kubo.



O plano de jogo
assimilava-se ao da estreia. A bola ficava — ainda mais — com os espanhóis,
característica da equipe, enquanto o Japão atuava em blocos baixos, suportando
a pressão e tentando sair em velocidade.



Diferente da partida contra
os alemães, os Samurais Azuis não conseguiram nem “machucar” nas descidas, e
viu a eliminação bater à porta.



Com pouco mais de cinco
minutos e em falha de Sergio Busquets, Junya Ito até teve uma boa oportunidade,
mas a finalização foi para fora. Isso foi todo o primeiro tempo japonês,
tirando uma vez ou outra em que a marcação alta funcionava, apertando os
europeus — mas eles, especialistas, conseguiam escapar, mesmo em situações
difíceis.



Dali em diante, não houve
mais jogo para o Japão. A Espanha não mantinha só a posse de bola, eles a
dominavam, ditavam o jogo e controlavam os movimentos. Quase aos dez, Olmo, na
esquerda do ataque, levantou na área, e Morata cabeceou em cima de Gonda. Um
prelúdio do que viria a seguir.



Pouco depois, agora do lado
oposto do ataque, Azpilicueta foi quem alçou a bola na área, e Morata, com
espaço, subiu para colocar os espanhóis na frente.



Sem saída, o Japão terminou
o primeiro tempo também sem ver a cor da bola. Em dado momento, segundo
estatísticas da própria FIFA, a
seleção perdia a posse em cinco a dez segundos, enquanto a Espanha demorava
dois minutos para perdê-la.



Verdade seja dita, a Fúria, como é chamada a Espanha, criou
menos oportunidades perigosas do que a Alemanha na primeira rodada, mas também
corria muito menos riscos, já que o oponente sequer jogava. Foram quase 600
passes trocados contra pouco mais de 100; a posse de bola ficou 83% contra 17%.
Nas finalizações, a diferença de fato era irrisória, sendo 5×2.


O segundo tempo: Moriyasu mexe, Japão volta diferente e Mitoma e Ao
Tanaka levam os Samurais ao ápice

As mudanças de Moriyasu surtiram efeito novamente
(Foto: Getty Images)

Assim como na estreia diante
da Alemanha, a seleção japonesa retornou do vestiário com outra “cara”. Nova
postura e novos jogadores. Moriyasu fez das suas mais uma vez. Saiu Kubo para a
entrada de Doan, e Nagatomo deu espaço para Mitoma.



Do outro lado do grupo, a
Alemanha vencia os costa-riquenhos pelo placar mínimo, o que deixava o Japão
fora das oitavas de final.



Mas então, logo aos dois
minutos, Doan, que havia saído do banco naquele instante, mostrou ao mundo que
as coisas não ficariam assim. O jogador do Freiburg (ALE) aproveitou falha na
saída de bola espanhola, rendida pela pressão japonesa. O chute forte, de média
distância, até encontrou as luvas de Unai Simón, mas ainda assim, a bola cismou
em morrer nas redes, empatando a partida, e recolocando o Japão na segunda
colocação.



O Japão, que no primeiro
tempo mal encostava na bola, agora deixava claro que precisava de pouco para
fazer muito. Dois minutos depois, os Samurais chegaram de novo, e mais uma vez
com ele, Doan. Agora, no entanto, quem concluiria a jogada era a dupla que
sacudiu o país na J-League: os “meninos” Mitoma e Tanaka, que depois de
estourarem com o Kawasaki Frontale, agora iniciavam suas jornadas na Europa.



Doan bateu rasteiro, a bola
passou rasante na área espanhola. Maeda se esticou todo, mas não conseguiu
empurrar para o gol. Foi aí que a estrela de Mitoma apareceu. O atacante foi
até o fim, até o limite do que a regra permite, e em um toque providencial, com
mais da metade da bola fora do campo de jogo, conseguiu jogá-la para a pequena
área, lugar em que Tanaka aguardava, em disputa com Rodri, para empurrá-la de
coxa para a baliza, deixando o mundo de novo em choque com o Japão.

A comemoração só pode vir depois do VAR. O Japão virava o jogo diante da poderosa Espanha
(Foto: FIFA World Cup / Twitter)

A polêmica foi até o VAR,
como esperado. Enquanto Victor Gomes, o árbitro sul-africano conversava com os
responsáveis pela tecnologia, os jogadores aguardavam em ansiedade. O gol foi
validado, e o Japão agora liderava o grupo da morte.


Os minutos finais: A Espanha tenta, mas Yoshida salva a pátria e o Japão
deixa os europeus comendo poeira

O toque salvador de Maya Yoshida que evitou o gol de empate da Espanha
(Foto: Getty Images)

Os espanhóis, após ficarem
atrás do placar, voltavam a ter a bola sob os seus pés. Rodando ela durante
todo o resto da partida, agora a campeã do mundo não parecia tão amedrontadora
assim. Ocupando a segunda posição do grupo, a Fúria sentiu o perigo e o caos aos vinte e cinco minutos da etapa
final; a Costa Rica havia virado a partida contra os alemães, e agora
derrubavam o time vermelho, e chegavam à posição de classificação, gerando duas
zebras históricas no mesmo grupo.



A Alemanha, no entanto,
virou a partida, fez três gols, ampliou e abriu vantagem. Os tetra-campeões do
mundo precisavam urgentemente de um mísero gol espanhol para assumirem o lugar
do Japão, mas ele não veio.



Não veio porque o capitão
Yoshida não deixou. Aos quarenta e três, Asensio arriscou de longe, Gonda
rebateu para frente, e Ferran Torres saltou para empatar o jogo, mas o pé
milagroso do zagueiro interveio, e como a ponta de uma katana, protegeu seus Samurais.



O lance decorreu, e Olmo
teve mais uma chance, mas desta vez, Gonda não deu sopa ao azar. Encaixou e
garantiu que a história do Japão continuaria a ser escrita.



Se em 1993 os japoneses
choraram sob o solo catari em seu mais traumático episódio, agora eles sorriem
de alegria em suas mais belas vitórias. E a Copa do Mundo, ela continua para o
Japão. Futebol é jogado, e os Samurais sabem muito bem fazê-lo.

Samurais comemoram classificação ao final do jogo
(Foto: FIFA World Cup / Twitter)
O Japão entra em campo na próxima segunda feira (05/12) às 12:00hs (horário de Brasília). O adversário da vez é a Croácia, do craque Luka Modrić, segunda colocada do Grupo F e atual vice-campeão da Copa do Mundo, em duelo válido pelas oitavas de final.

 







SOBRE O AUTOR:





IGOR FERREIRA (@contactoigor) - Décadas de futebol, uma vida de Fluminense e anos de Sanfrecce Hiroshima. Nas horas vagas, um entusiasta das histórias de J. R. R. Tolkien, George R.R. Martin e C. S. Lewis e um admirador ferrenho do horror cósmico, do inominável e do indizível.
















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