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SAKKAPÉDIA: A Agonia de Doha

Às vésperas da Copa do Mundo, o Japão FC relembra um dos episódios mais marcantes da história da seleção japonesa

Jogadores e comissão técnica do Japão choram eliminação após o jogo
(Foto: Getty Images)

A Copa do Mundo está cada vez mais próxima e falta um pouco
menos de uma semana para a estreia da seleção japonesa em solo catari. Os
comandados do técnico Hajime Moriyasu terão uma dura missão em um grupo com
duas seleções campeãs do mundo (Espanha e Alemanha), porém, como quase tudo na
vida, a esperança é a última que morre e é possível sonhar com uma eventual
classificação para o mata-mata do maior torneio do mundo.



A coluna de hoje, contudo, não irá comentar sobre a estreia
ou expectativas para a Copa do Mundo do Catar, mas sim sobre o passado e de uma
certa “agonia”. Vamos voltar para as eliminatórias da Copa do Mundo de 1994 e
contar um pouco sobre a quase classificação do Japão para seu primeiro torneio
mundial e sobre a “Agonia de Doha”.


Kazu Miura em cobrança de falta durante a partida
(Foto: Getty Images)
No dia 28 de outubro de 1993 ocorria a última rodada das
eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994 para o continente asiático, onde
seis seleções disputavam duas vagas para o torneio disputado em solo
norte-americano. O hexagonal final acontecia, curiosamente, na capital do Catar
(Doha) e contava com a Coreia do Sul, Coreia do Norte, Irã, Arábia Saudita,
Iraque e o Japão.


O torneio de classificação ocorreu entre os dias 15 e 28
daquele mês de outubro de 1993 e funcionava em um sistema de todos contra
todos, ou seja, cada seleção iria disputar cinco partidas e os dois melhores
iriam para a Copa do Mundo. É importante lembrarmos que, diferentemente dos
tempos atuais, o futebol japonês estava dando seus primeiros passos na era profissional e a seleção japonesa buscava sua primeira participação em Copas.



O torneio qualificatório era de tiro curto e com jogos
disputados a cada três dias, o que dificultou e embolou a tabela de
classificação. Na época, a seleção japonesa era comandada pelo técnico holandês
Hans Ooft, que teve boa parte da carreira como técnico trabalhando em solo
nipônico.



A fase de grupos da seleção japonesa não começou nada bem
com um empate com a Arábia Saudita por 0x0 e uma derrota por 2x1 para o Irã. As
rodadas três e quatro do hexagonal final reservaram para o Japão confrontos
decisivos contra as duas Coreias.


Kazu Miura foi o autor do único gol da vitória do Japão diante da Coreia do Sul
(Foto: Gety Images)
A partida contra a Coreia do Norte foi relativamente
tranquila e o Japão saiu vencedor por 3x0, com dois gols de Kazuyoshi Miura, o
popularmente conhecido e famoso Rei Kazu. Aliás, o interminável Kazu, foi o
artilheiro das eliminatórias asiáticas com 13 gols e, por pouco, não disputou
uma Copa do Mundo.



No dia 25 de outubro de 1993, o Japão enfrentava a Coreia do
Sul no Khalifa International Stadium e precisava vencer para deixar o sonho
vivo em disputar uma Copa do Mundo. [Apenas um parêntese na história; o Japão
estreará na Copa do Mundo em 2022 nesse estádio contra a Alemanha no dia 23 de
novembro e jogará contra a Espanha também no Khalifa International Stadium pela
última rodada da fase de grupos].



Após esse pequeno e necessário adendo, vamos voltar para
1993 e falar que o Japão conseguiu derrotar a Coreia do Sul por 1x0 (gol de
Kazu) e chegava com muitas chances para a última rodada das Eliminatórias
contra o Iraque. O clima para o jogo era de esperança e confiança para os
japoneses, já que um ano antes, o Japão havia conquistado a Copa da Ásia pela
primeira vez em sua história e tinha ficado invicto na primeira fase das
eliminatórias.

Japoneses comemoram o título de campeão asiático de 1992
(Foto: Getty Images)
Ao mesmo tempo que acontecia o jogo entre Japão e Iraque, a
Coreia do Sul enfrentava a Coreia do Norte e a Arábia Saudita defrontava o Irã.
Nos outros dois jogos paralelos, a Arábia Saudita venceu o Irã por 4x3 e se
classificou para sua primeira Copa do Mundo, enquanto a Coreia do Sul venceu
com tranquilidade a Coreia do Norte, porém precisava de uma combinação de
resultados relacionado ao jogo entre Japão e Iraque.


A fatídica partida no Hamad bin Khalifa Stadium, em 28 de
outubro de 1993, começou bem para os japoneses com gol aos 5 minutos de Kazu,
porém o Iraque conseguiu empatar no segundo tempo com Radhi aos 54 minutos. Masashi
Nakayama colocou os japoneses na frente aos 69 minutos e encaminhava a
classificação para a Copa do Mundo.



Aos 90 minutos de partida, o atacante Alaa Kadhim driblou
pela ponta direita e cruzou na cabeça de Jaffar Omran, encobrindo o goleiro Shigetatsu
Matsunaga, que apenas olhou e nada vez. O dolorido empate no minuto final de
jogo acabou tirando o sonho japonês em disputar sua primeira Copa do Mundo e
classificou a Coreia do Sul.

A “Agonia de Doha” ou a “Tragédia de Doha” (ドーハの悲Dōha no higeki) é um evento marcante no futebol e cultura popular japonesa, sendo utilizado em diversos animes, filmes, entre outros aspectos e marcou, definitivamente, a história da seleção japonesa. 

Por último, para finalizarmos, gostaria de deixar aqui uma curiosidade; o mesmo evento é conhecido como o “Milagre de Doha” para os sul-coreanos, o que simboliza um pouco a rivalidade entre essas duas potências do futebol asiático. 

No vídeo abaixo você pode conferir os principais lances da partida:


E assim encerro a coluna. E que venha a Copa do Mundo do Catar!



 






SOBRE O AUTOR:







BRUNO PERADOTTO | REDATOR | @brunoperadotto - Apenas mais um entusiasta de futebol e cultura japonesa. Bacharel em Ciências Econômicas e pós-graduado em Gestão de Pessoas, ambas pela PUCRS. Atualmente, um aspirante a treinador pela ATFA (Licença C e B), pós-graduando em Futebol e realizando um bacharel em Educação Física pela UFRGS.




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