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De 1998 a 2018: o Japão e seus jogos marcantes

Às vésperas de mais uma estreia do Japão na Copa do Mundo, é
hora de relembrar alguns jogos importantes dos Samurais Azuis ao longo de sua história nos Mundiais

De partidas da primeira à última Copa, algumas tiveram um
caráter histórico e outras um caráter meramente simbólico. A todo torcedor cabe
discutir quais foram os jogos mais marcantes ao longo desses seis Mundiais que
os Samurais Azuis disputaram.
Na matéria listamos um “Top 5” de partidas marcantes para o Japão em toda sua
história na competição.

1998: a primeira vez
em Copas do Mundo

A primeira vez a gente nunca esquece: um jogo
duro e uma derrota por um gol diante da Argentina
(Foto: reprodução da internet)

A estreia em mundiais não poderia ser mais difícil: diante
de uma estrelada Argentina, o time do treinador Takeshi Okada fez sua primeira
aparição em um campeonato de seleções pelo mundo.

O Japão ainda engatinhava como futebol profissional mas
tinha nomes que viriam a ser lendas no futebol local: Shinji Ono, Hidetoshi
Nakata, Yoshikatsu Kawaguchi, Seigo Narazaki, Masami Ihara, Masashi Nakayama e
o brasileiro naturalizado Wagner Lopes. Mesmo diante de um adversário superior,
os Samurais conseguiram fazer um jogo
honroso, impondo dificuldades à forte Argentina que conseguiu vencer com o gol
de Batistuta ainda no primeiro tempo.







A derrota dura na estreia serviu como prelúdio do quanto o
país poderia evoluir no esporte e mesmo com as derrotas nos jogos seguintes (1
a 0 para Croácia e 2 a 1 para Jamaica) a impressão deixada foi positiva para o
que ainda estaria por vir nos Mundiais seguintes.



 



2002: A primeira vitória

Jogadores comemoram o gol diante dos russos em
2002, que marcou a primeira vitória dos Samurais em Mundiais
(Foto: 
Stu Forster/Getty
Images)

O ano era 2002 e a Copa do Mundo foi disputada em parceria
com a Coreia do Sul. Pese a campanha dos Guerreiros
Taegeuk
marcada por polêmicas, o Japão surpreendeu o mundo por chegar tão
longe na sua segunda competição: liderança absoluta no grupo H e eliminação
apenas nas oitavas de final diante de uma incrível Turquia.



Tendo feito sua estreia com um empate diante dos belgas em
um grande jogo, a primeira vitória japonesa em uma Copa veio na rodada seguinte
diante da Rússia.



A partida em si foi dura, marcada por grandes chances de
ambos os lados e com os Samurais Azuis contando
com a má pontaria russa em diversos lances. Todavia, mesmo assustando pouco, os
japoneses tomaram a dianteira do marcador quando após boa troca de passes,
Inamoto recebeu linda escorada e mandou com classe pro fundo das redes pra
delírio da torcida presente no International Stadium Yokohama.



De tanto resistir, a sorte também abandonou a seleção local
quando Yanagisawa fez ótima jogada e de frente para o gol, isolou a bola. O
Japão ainda acertou a trave russa com Nakata antes do marcante apito final
naquele lendário dia 09 de junho de 2002.


2002: a primeira vez na fase
eliminatória

Hidetoshi Nakata sendo marcado no jogo que
garantiu o Japão rumo às oitavas de final pela primeira vez em sua história
(Foto: Getty Images)
A Copa de 2002 foi marcante para o Japão não só por ter sido
um dos países sede, junto com a Coreia do Sul, mas também por ter sido a primeira vez em
que a seleção avançou para as oitavas de final.


A competição daquele ano foi marcante por si só por ter
proporcionado aos japoneses a primeira vitória em mundiais diante da Rússia na
rodada anterior. O melhor, porém, estaria por vir e a primeira classificação para
fase eliminatória foi confirmada na última rodada do grupo H após a vitória
diante da Tunísia.



A partida em si foi bastante tranquila para os nipônicos,
levando em consideração a força da torcida no Nagai Stadium e a fragilidade do
adversário.



Em um jogo morno, o melhor ficou apenas para o segundo tempo
e os gols viriam de forma tranquila: logo aos 3 minutos da segunda metade de jogo, após
boa troca de passes, a bola sobrou para Morishima abrir o marcador com um chute
de rara precisão. O gol empolgou o Japão que ainda colocou uma bola na trave e
seguiu dando sustos até o segundo gol marcado por Nakata após ótimo cruzamento
de Ichikawa.



A eliminação na fase seguinte para a Turquia não apagaria em
nada a ótima campanha do Japão que anos mais tarde viria a chegar mais vezes
nas fases eliminatórias.



 

2010: o segundo “quase” nas oitavas
de final

Keisuke Honda comemora seu gol, no dia em que o
Japão envolveu uma seleção europeia como poucas vezes ao longo da história
(Foto: Reuters)

A primeira vez em 2002 foi inesquecível, no entanto em 2010
era diferente: o grupo era mais forte (Camarões, Holanda e Dinamarca), o
futebol no país já estava mais consolidado e com a evolução da internet e de
todo processo de globalização, era mais fácil conhecer os atletas. Naquele Mundial disputado em solo africano, a geração encantou alguns admiradores no
último jogo da fase de grupos diante dos dinamarqueses.



A partida disputada no dia 24 de junho daquele ano valia uma
vaga nas oitavas de final e esperava-se que a Dinamarca vencesse os japoneses,
o que não ocorreu: com um futebol impressionante e num dia marcado por golaços,
o Japão aplicou um impiedoso 3 a 1 nos Rød-Hvide.



Os tentos de falta convertidos por Keisuke Honda e Yasuhito
Endo aliados ao belíssimo gol de Shinji Okazaki, sacramentaram uma vitória que
encaminhou os Samurais às oitavas de
final (onde viriam a cair apenas nos pênaltis diante do Paraguai).


2018: classificação obtida de forma
alternativa

Jogo medonho mas classificação na sorte por fair
play, algo raro em Copas do Mundo e o Japão conseguiu tal façanha
(Foto: Getty Images)

A Copa de 2014 foi completamente esquecível para o Japão,
mas a de 2018 teve seus fatores de positividade: ainda que a
eliminação para a Bélgica 
nas oitavas tenha sido da forma dramática que foi (um 3 a 2 no
último lance do jogo após estar vencendo por 2 a 0), a fase anterior foi
marcada por uma espécie de golpe de sorte pela forma com a qual a seleção
nipônica avançou para fase eliminatória.



O grupo era o H, um marco na história do Japão em mundiais,
os concorrentes eram duros (Colômbia, Polônia e Senegal) e o esperado era não
passar da fase inicial. No entanto, a surpreendente vitória diante dos
colombianos e o empate conquistado na raça contra os Leões de Teranga, deixou os Samurais
Azuis
com chances de avançar à fase seguinte.



O jogo contra a badalada Polônia (afinal um time com
Bereszyński, Zieliński, Glik, Krychowiak e o artilheiro Robert Lewandowski) foi
duro e a equipe de Akira Nishino perdeu por 1 a 0 num dia de péssimo futebol
dos japoneses. No entanto mesmo com a derrota os Samurais Azuis avançaram de fase por terem meros dois cartões
amarelos a menos que a seleção de Senegal, aja visto que nos demais critérios as
seleções estavam rigorosamente empatadas.



A classificação pode ser tida como uma das mais atípicas da
história de todas as copas. História que entra pro "hall" de
alternatividade em mundiais de seleções.



 








SOBRE O AUTOR:





ANDRÉ RIBEIRO |  @andrevitur - Estudante de Jornalismo pela Estácio e de Serviço Social pela UFF. Social media em Cobblers Brasil e no Samp Brasile, além de redator no jornal O Prefácio, apaixonado por música e pela cultura nipônica.



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