CONEXÃO NIPPO-BRASIL: Dunga e o 1° título de J-League do Júbilo Iwata
Volante campeão do mundo em 1994 também
fez história no Japão
| (Foto: @contactoigor / Twitter) |
Faltando menos de uma semana
para a abertura da Copa do Mundo FIFA, a nossa coluna não poderia deixar passar
em branco a oportunidade de trazer um personagem importantíssimo tanto para o
Brasil quanto para o futebol japonês.
Gaúcho de Ijuí (Rio Grande
do Sul), Dunga iniciou a carreira no Internacional, clube pelo qual foi
bi-campeão estadual (1983 e 1984), ganhando assim destaque no futebol local.
| Dunga (direita) enquanto atleta júnior no início de sua carreira (Foto: UOL) |
Mostrando poderio de
marcação e forte senso de competitividade, o jogador ainda passou por outros
clubes no Brasil como o Corinthians, o Santos e também o Vasco da Gama, neste
sendo campeão carioca em 1987.
Foi então que Dunga ganhou
ainda mais projeção, e agora rumava para o futebol europeu e despontava como um
membro do selecionado brasileiro.
No futebol italiano,
defendeu equipes como Pisa, Fiorentina e Pescara; na Alemanha, o Stuttgart, e
só então chegou ao nosso foco, mesmo já sendo experiente e campeão do mundo em
1994, como vamos lembrar a seguir.
As
Copas de Dunga antes da chegada ao Japão
| Maradona deixa Dunga pra trás na eliminação brasileira em 1990 (Foto: reprodução da internet) |
O período que recebeu a
famosa alcunha de “Era Dunga” trouxe sentimentos e experiências opostas em
ambas as edições. Em 1990, o jogador ficou marcado pela terrível campanha
naquele ano.
Sob a batuta do então
técnico Sebastião Lazaroni, o Brasil deixou de lado a estética agradável, o
futebol vistoso e ofensivo de tempos passados; as derrotas em 1982 e 1986
doeram, e surgia a necessidade urgente da Canarinho voltar a erguer o troféu
que não vinha desde os tempos de Pelé, em 1970.
O volante viria a ser a “cara”
dos novos tempos e usado como exemplo pelo próprio treinador que, de certo
modo, também trouxe toda a responsabilidade para si. O modelo de jogo agora era
claro: futebol reativo, mais “Europeu”, cauteloso e em busca apenas do
resultado final. O Brasil jogava com três zagueiros, inclusive. Mas nada deu
certo.
Foram de fato três vitórias
na fase de grupos, mas só quatro gols marcados e um sofrido. No dia 24 de
junho, no entanto, na primeira fase do mata-mata, o adversário era nada mais,
nada menos, que a arquirrival Argentina. O final você já sabe: Diego Maradona,
com meia hora de jogo na etapa final, recebeu a bola, para a infelicidade de
todo brasileiro. Em um curto espaço de tempo, o gênio argentino passou por
Alemão, deixou Dunga no chão, fez Ricardo Rocha “comer poeira” e deu um
presente para Caniggia vencer Taffarel, estufando as redes e ceifando o sonho
brasileiro em uma eliminação precoce para os padrões da maior seleção do mundo.
O Brasil agonizou. O
futebol “feio” não trouxe nem mesmo os resultados, e Dunga teve o seu nome mais
do que atrelado àquele estilo de jogo. Em 2015, em entrevista ao GE, à época técnico da seleção, comentou
sobre o quão complicado foi aquele momento:
“[...] Em 1990,
seguramente doeu mais porque toda responsabilidade foi colocada no meu nome por
quatro anos, e até hoje colocam. Queríamos ganhar em 98, lógico, mas jogar
contra um país que está organizando a Copa e com grandes jogadores, é muito
complicado. A França não deixaria escapar a vitória em sua casa.”
Dunga em resposta a respeito da comparação sobre a queda em
1990 ou o vice-campeonato em 1998.
A volta por cima em 1994
| Dunga e o ápice nos Estados Unidos (Foto: Getty Images) |
Vinte e quatro anos. Esse era
o tempo em que o Brasil não sabia o que era ser campeão do mundo. Em 1994,
entretanto, os deuses do futebol resolveram sorrir para nós. Aliás, não só para
nós, mas especialmente para o personagem da nossa coluna de hoje.
Rotulado e escarnecido “de
norte a sul”, Dunga mostrou do que era capaz e calou os críticos naquela
quentíssima Copa em solo yankee.
O Brasil de Parreira não
havia resgatado a beleza característica, é verdade, e ainda era pragmática. Mas
agora ela tinha muito mais solidez, consistência, jogadores brilhando e o
principal: resultados.
O protagonista sempre será
Romário, justamente, claro (com Bebeto), já que eram as estrelas e responsáveis
por colocar a bola na rede e garantirem a vitória ao apito final, mas Dunga com
certeza era o jogador mais pressionado daquele elenco; estampado como um dos
rostos do fracasso na Copa da Itália, ele então seria um dos donos do mundo.
Com grandes atuações, a camisa 8 nas costas e a faixa de
capitão no braço (após a saída de Raí do time titular), Dunga foi um símbolo de
vibração, comandando o meio-de-campo brasileiro rumo ao tetra-campeonato. Ele
inclusive converteu a sua penalidade na final ante a Itália; depois foi a vez
de Baggio, que isolou e confirmou o nosso título.
O “Capitão do Tetra” em Shizuoka
| Dunga atuando pelo Júbilo Iwata (Foto: J.League/site) |
Dunga desembarcou no Japão em 1995 aos trinta e dois anos de
idade, depois de sua passagem pelo Stuttgart (ALE), clube no qual jogou por
três temporadas. O atual campeão do mundo chegava com todo o prestígio possível
para vestir a camisa celeste do Júbilo Iwata.
Quando a bola rolou, o impacto do volante não foi pouco.
Dunga não só foi um dos responsáveis por “transformar” a equipe como seu
futebol também afetou todo o país.
| Com sua garra e força já conhecida em campo, demorou pouco tempo para que Dunga conquistasse os japoneses (Foto: Getty Images) |
Esbanjando todo o seu talento e com o semblante “quase
sempre” sério, Dunga sentia o jogo como ele tem que ser sentido. Ele vibrava,
brandia, cobrava exacerbadamente dos companheiros, mas acima de tudo, jogava
bola. Por quatro temporadas ele fez história no Japão (1995, 1996, 1997 e 1998).
Jogou mais de cem partidas, marcou quase vinte gols.
Sendo peça-chave na equipe comandada por Takashi Kuwahara
(substituto de outro brasileiro, Luiz Felipe Scolari), Dunga conduziu o clube a
glória logo em sua segunda temporada. Construindo e destruindo; organizando e
potencializando os seus companheiros.
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| (Foto: Getty Images) |
O Júbilo Iwata conquistou o campeonato nacional pela primeira
vez na sua história naquele ano, em 1997, quando encarou o Kashima Antlers na
grande decisão, vencendo tanto a partida de ida (3×2) quanto a de volta (0×1).
A equipe campeã tinha o também brasileiro Adilson Batista no
elenco, jogando na defesa. O italiano Salvatore “Totò” Schillaci, atacante
artilheiro da Copa de 90, também, embora já estivesse na beira da aposentadoria
e sendo pouco utilizado. Outros jogadores também brilharam, como o goleiro
Tomoaki Ogami, o meio-campista Hiroshi Nanami e o atacante Masashi Nakayama,
todos integrantes do “Onze Ideal” da J-League.
Dunga, que também levou um pouco da “catimba sul-americana”
para o Japão, foi eleito do mesmo modo para o prêmio, além de ter arrematado o
MvP da competição, mudando o clube de patamar.
Ele deu adeus ao Júbilo Iwata em 1998, retornando para a sua
antiga casa, o Internacional.
*Dunga ainda disputou, como mencionamos no início, a sua terceira Copa
do Mundo, em 1998, sendo o primeiro atleta do Júbilo Iwata a disputar o
torneio. Por curiosidade, a dupla de volantes do Brasil naquela edição foi
formada por dois jogadores que atuavam na J-League: ao lado de Dunga, jogava
César Sampaio (Yokohama Flügels), sendo este o autor do primeiro gol da seleção
verde e amarela na competição, logo na abertura em duelo contra a Escócia.
Dunga, por exemplo, converteu a sua penalidade contra a Holanda na semifinal,
triunfo que levou o Brasil para a decisão para ser vice-campeão em confronto
com a França.
O técnico Dunga
| (Foto: Mohd Fyrol / AFP) |
Após a sua aposentadoria no início dos anos 2000, Dunga se
tornou técnico da seleção brasileira por duas ocasiões: a primeira de 2006 até 2010,
e retornando entre os anos de 2014 e 2016.
Como treinador, ele dirigiu o Brasil contra o Japão em apenas
uma ocasião, em Singapura, em 2014: o Brasil venceu os Samurais Azuis por 4 a 0
naquele dia, com todos os gols marcados por Neymar.

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