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FC Ryukyu inaugura novo paradigma no futebol japonês e cria sua própria criptomoeda

Relação entre futebol e moeda digital é cada vez mais sólida

Foto: Getty Images

No último dia 08 de junho, o FC Ryukyu, clube sediado no arquipélago de mesmo nome e mais especificamente em Okinawa, anunciou a contratação do brasileiro Kelvin Mateus de Oliveira (29 anos). O anúncio do atual último colocado da J2 League, com apenas 15 pontos somados em 20 jogos, até poderia ser a notícia que essa coluna poderia tratar, porém o que chamou atenção foi um detalhe anunciado pelo próprio clube japonês.




De maneira mais especifica, o FC Ryukyu revelou que parte dos vencimentos de Kelvin serão pagos pela FCR Coin, criptomoeda lançada no último mês de abril pelo clube japonês e que será o assunto de mais uma coluna dominical. De maneira mais específica, iremos tratar sobre a relação entre futebol e esse novo mercado relacionado às criptomoedas. 


Sobre Okinawa, FC Ryukyu e o FCR Coin

No dia primeiro de abril de 1945 começava no arquipélago de Ryukyu, ao sul das quatro maiores ilhas do Japão, uma das maiores batalhas militares da história. A denominada Batalha de Okinawa foi o último grande confronto dentro da Segunda Guerra Mundial e foi o início definitivo do fim do Império Japonês, o que aconteceria alguns meses mais tarde. Após o fim da guerra, o arquipélago de Okinawa ficou sob domínio dos Estados Unidos por mais 27 anos, período em que as famosas bases militares norte-americanas foram instaladas. Okinawa, inclusive, foi durante a Guerra da Coreia (1950-1953) um ponto extremamente estratégico para os americanos.

Cenas de combate em Okinawa
(Foto: reprodução internet)
A devolução do território ao governo japonês se deu em 1972, quase 20 anos depois em relação ao resto do país. Contudo, essa devolução não foi 100% integral, devido à posição estratégica da ilha entre Japão, China e as duas Coreias. Atualmente, ainda há cerca de 20% de ocupação norte-americana na ilha principal. 

Esse assunto é tão latente na ilha, que no último dia 15 de maio, vários japoneses saíram nas ruas de Okinawa tanto para comemorar, quanto para protestar. A comemoração estava relacionada aos 50 anos da “libertação” de Okinawa, enquanto os protestos eram contra a presença americana na ilha. 

Anteriormente à Segunda Guerra e a própria Revolução Meiji (1868), Okinawa fazia parte de um reino independente do resto do Japão. O denominado Reino de Ryukyu (1429–1879), foi decisivo para o desenvolvimento de uma cultura própria, sendo tipicamente encontrado na ilha. Esse reino à parte do resto do Shogunato – tipo de governo que comandava o Japão nesse tempo – acabou criando uma história, costumes e culturas singulares para as pessoas dessa região.

O Eisa Eisa (エイサー) é uma dança com origens de cantos e preces budistas tradicionalmente praticada na Ilha de Okinawa
(Foto: Getty Images)
Fundado em 2003, o FC Ryukyu, nome em homenagem ao reino independente, é um clube relativamente novo, sendo o primeiro clube das ilhas de Okinawa em conseguir disputar torneios de abrangência nacional. A sua origem está relacionada com o declínio de outro clube da região. 

O Okinawa Kariyushi FC foi um clube criado quatro anos antes, em 1999, e que possuía uma relação com uma rede de hotéis denominada “Kariyushi Hotel Group”. Esse grupo tinha a intenção em ser um expoente dentro da região, chegando a convidar, inclusive, Ruy Ramos, brasileiro naturalizado japonês que fez sucesso no futebol nipônico no início dos anos 90, como “orientador técnico”.

Ruy Ramos atuando com a camisa do Okinawa Kariyushi FC
(Getty Images)
Em 2003, após desavenças com o Kariyushi, Ruy Ramos e uma série de jogadores acabaram se juntando ao FC Ryukyu que, então, começou a sua jornada no futebol nipônico. Rapidamente, acabou subindo dentro das divisões menores da região, as denominadas “Prefectural Division”, e no ano de 2005 conseguiram o acesso para a JFL, na época terceira divisão do Japão. A partir desse ponto, foram oito temporadas dentro da Japan Football League (JFL), sendo as melhores colocações os nonos lugares em 2011 e 2012. No ano de 2014, foi fundado a J3 League, o que acabou gerando uma “promoção automática” para diversos clubes da antiga JFL, onde o FC Ryukyu estava. 

Na J3, foram mais cinco temporadas, até que no ano de 2018 acabou sendo campeão da terceira divisão e conseguindo o acesso inédito para a “segundo prateleira” do futebol nipônico. Atualmente, está disputando a quarta temporada dentro da J2 e sua melhor colocação foi um nono lugar no ano passado. Como citado na parte inicial da coluna, a temporada atual não é boa e atualmente está na última colocação da J2.

Se dentro do campo as coisas não parecem boas para o time de Okinawa, fora de campo ele está passando por grandes transformações no que tange tecnologia e inovação. No dia 27 de abril desse ano, o FC Ryukyu anunciou, oficialmente, a criação do FC Ryukyu Coin (FCR Coin), criptomoeda criada dentro do padrão ERC-20, da rede Ethereum. Entre 27 de abril e 18 de maio, o clube ofereceu uma IEO, sigla que significa Initial Exchange Offering, em tradução livre, Oferta Inicial de Moeda. Na prática, uma IEO é uma maneira de arrecadar fundos para o projeto inicial de determinada criptomoeda antes dela entrar no mercado oficialmente, ou seja, os investidores conseguem comprar antes da disponibilização em mercado aberto. 

De maneira geral, a ideia de uma IEO é gerar fundos para o projeto se consolidar desde o início com um capital inicial razoável. No caso do FC Ryukyu, o dinheiro arrecado pela IEO será para acelerar o investimento com o intuito de fortalecer o time, visando uma possível promoção à J1 League, além de desenvolvimento de uma plataforma, denominada FC RYUKYU SOCIO, e a expansão de todo o ecossistema do FCR Coin.

Segundo dados retirados do site do próprio clube, 40% será destinado para a gestão da equipe, fortalecimento e custos de treinamento do FC Ryukyu. Outros 40% serão para o desenvolvimento, operação e despesas de marketing do sistema FC RYUKYU SOCIO. No documento apresentado para todos os possíveis investidores, é detalhado, ainda, que 12% será para a emissão de moedas FC Ryukyu e seus custos operacionais. Por último, 8% será utilizado como um fundo de reserva para futuras operações. 

Segundo o Keishiro Kurabayashi, presidente e CEO do clube, o projeto de IEO demorou quatro anos para ser consolidado e colocado em prática e que o objetivo é muito além do clube em si. Além de fortalecer a equipe visando uma promoção à J1, a ideia é melhorar o valor das moedas FCR, com perspectivas em ajudar na revitalização da região e desenvolvimento de negócios na Ásia e no mundo.

Tapic Kenso Hiyagon Stadium, casa do FC Ryukyu
(Foto: Getty Imaages)

O FCR Coin colocou, nesse primeiro IEO inédito para clubes japoneses, 450 milhões de moedas de um total de 1 bilhão disponíveis. Os resultados foram excelentes, visto que o clube conseguiu arrecadar mais de um bilhão de ienes (1.039.500.000 de ienes), o que na cotação atual (10/06/2022) significaria mais de 38 milhões de reais (38.025.959,40 de reais). 

Os investidores poderão utilizar a FCR Coin dentro da plataforma FC RYUKYU SOCIO, que será lançada oficialmente no dia 27 de junho. Dentro dessa plataforma, os detentores da criptomoeda poderão realizar algumas ações que detalharei nos próximos parágrafos, relacionadas ao time, jogadores e a própria região onde está o clube. 

Segundo o projeto do clube, cinco pontos principais relacionam à criptomoeda (FCR Coin), plataforma (FC RYUKYU SOCIO) e os investidores. A primeira está relacionada com o fato de que os detentores de moedas FCR terão o direito de apoiar o clube como um “parceiro simbólico”. Na prática, isso significa que um certo número de portadores de moedas poderá ser apresentado como um parceiro do clube em “posições oficiais”, ou seja, aparecer no site do clube, no estádio, em entrevista coletiva, etc. 

Se o primeiro ponto ficou meio obscuro, acredito que os próximos serão mais claros, já que a segunda função está relacionada ao envio de moedas para os jogadores, aumentando e fortalecendo a conexão entre jogadores e torcedores. O terceiro ponto é bastante interessante, visto que trata sobre o direito de participar de votações relacionados à gestão do clube. 

Segundo o que consta nos documentos, o FC Ryukyu poderá transmitir suas intenções em relação à operação do clube em todos as suas esferas, como por exemplo no gerenciamento do futebol, seleção de mercadorias, exposição na mídia, entre outros. Em outras palavras, qualquer detentor de moeda FCR poderá comunicar suas intenções em relação à operação do FC Ryukyu, ou seja, um investidor poderá ter alguma voz na participação nos processos decisórios do clube em si. 

Os últimos dois tópicos abordados ainda estão em estágio inicial, porém acredito que seja interessante comentar um pouco sobre eles. O primeiro está relacionado à utilização da moeda como forma de pagamento, logo, empresas e comerciantes, que são parceiros de criptomoedas, podem disponibilizar o FCR Coin como forma de pagamento. A ideia é que isso ajude a revitalizar a economia e a região de Okinawa, além de aumentar o grau de parceria entre essas empresas/comerciantes locais e o clube. 

O último tópico abordado dentro da plataforma está relacionado com os NFTs (Token não fungível). A ideia é que utilizando o NFT, o clube produzirá conteúdos digitais exclusivos, como imagens e vídeos, que podem ser adquiridos apenas dentro do FC RYUKYU SOCIO. Além disso, ingressos para eventos especiais e eventos online no estádio serão emitidos pela NFT também.

Foto: Getty Images
De maneira geral, o FC Ryukyu busca aproximar o torcedor, nesse caso um “torcedor-investidor”, com o clube e a região. A interatividade e a aproximação serão feitas a partir da plataforma, que necessitará da criptomoeda. Na explanação do projeto, o clube realiza uma reflexão sobre os investimentos dentro do futebol japonês, principalmente com grandes empresas e com focos em times da J1. 

Na visão do FC Ryukyu isso não é saudável, visto que, para eles, um mecanismo de captação de recursos descentralizado, sem dependência de um patrocinador específico, levaria a uma gestão contínua e estável dentro do clube. É claro que ao ler sobre o projeto precisamos ser céticos, afinal eles estão querendo vender seu produto, porém acredito que é um projeto bastante sólido, pelo menos em sua fase inicial.


Criptomoedas, Fan Tokens e o Futebol

Você certamente já deve ter ouvido falar em Criptomoedas, Blockchain, Tokens, Fan tokens, NFTs e outras terminologias relacionadas a esse mundo tão novo, mas ao mesmo tão presente em nossa sociedade. Se você – ainda – estiver lendo essa coluna, certamente está lembrando das Fan Tokens de Corinthians, Flamengo, Internacional, Vasco, Atlético-MG, São Paulo, Bahia, entre diversos outros clubes do futebol brasileiro.

Foto: reprodução internet

É exatamente nesse ponto que eu gostaria de iniciar esse tópico, visto que não é incomum clubes de futebol adentrarem a esse mundo digital. Contudo, é preciso definir o que são cada um dos conceitos citados no começo do parágrafo anterior, mesmo que para você seja algo tão comum e, em certo sentido, corriqueiro. Eu poderia definir cada um dos conceitos de maneira separada, porém acredito que irá facilitar a compreensão de todos criando um contexto. Gostaria de deixar claro que tentarei simplificar ao máximo, trazendo para um “contexto” e “linguagens” mais corriqueiras. 

Criptomoeda é uma moeda digital (sem papel físico) ou, como eu gosto de dizer, são “códigos de computação” que possuem alguma correspondência monetária com a vida real. Esses “códigos” são criados dentro da Blockchain, que é uma tecnologia (mais códigos), sendo um sistema que permite o envio e o recebimento de alguns tipos de informações pela internet. Esse sistema funciona como um banco de dados em que pedaços de código carregam informações conectadas, como blocos que formam uma corrente – por isso o nome “corrente de blocos”.

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Já os Tokens são um tipo de criptoativo ou criptomoedas, dependendo de pôr qual viés você quer enxergar. Sim, talvez tenha começado a ficar confuso, mas vamos tentar desenrolar esse fio. Criptoativos são ativos que só existem em códigos (sem o físico), como por exemplo as NFTs, ou seja, são tipos de ativos com determinado valor monetário que não existem no “mundo real”. 

E os tokens? Eles podem ser criptoativo ou criptomoedas, já que toda criptomoeda é um token, mas nem todo token é uma criptomoeda. Ok, agora ficou tudo confuso, então, qual é a diferença dos dois? Na prática, o que importa compreender é o que o token pode ser um tipo de criptomoeda ou algo derivado dela. 

E os Fan Tokens? Como o próprio nome diz, são tokens, muitos deles derivados de outra criptomoeda, especialmente criados para o esporte. Esse tipo de token se enquadra como “utility tokens”, já que esse tipo de ativo procura oferecer alguma utilidade para o seu comprador. 

Como exemplo, temos o fato de que alguns times dão aos detentores desses ativos o direito de votar em diversos tipos de enquetes. Além de enquetes, alguns clubes permitem que os “torcedores-investidores” escolham frases a serem escritas em alguma dependência do estádio, participar de promoções ou ter acessos exclusivos a locais, entre outros benefícios.

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Ao ler esse último parágrafo, provavelmente você notou similaridades entre o que foi descrito desse “Fan Token” com o que o FC Ryukyu está pretendendo fazer no Japão. Sim, como dito anteriormente, criptomoedas é um token, logo, é natural que a criptomoeda criada pelo clube japonês possa se comportar como um “utility token”. 

A grande diferença entre o projeto japonês e o que é oferecido no mercado brasileira, seja o fato de existir uma ideia de que o FCR Coin possa ser usado como uma “moeda local” e não apenas como algo exclusivo de determinado clube, como é o caso das “fan tokens”. Essa função de ser utilizado como meio de troca é chamado de “payment tokens”, ou seja, eu (você, na verdade, qualquer um) poderiam ir em uma pizzaria na esquina e pagar com criptomoeda, desde que o estabelecimento e as leis daquele país deem permissão.


Mercados Instáveis, Ativos Financeiros e Cuidados

Antes mesmo de começar a escrever a matéria, tentei me “policiar” para não colocar a minha opinião de maneira explícita, apesar de ser impossível não transparecer um viés de qualquer pessoa quando se escreve uma determinada coluna. De qualquer maneira, acredito que eu tenho uma “obrigação moral”, até mesmo pela minha formação acadêmica, em alertar os perigos de um mercado instável e sobre artigos financeiros em si.

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Vamos começar pelo final, ou seja, os ativos financeiros, que nada mais é de que um “papel”, como por exemplo títulos, que possuem alguma correspondência monetária. Nesse sentido, é importante salientar que um investidor está colocando o seu dinheiro (guardado) em um ativo (algo que não existe), que pode valorizar ou desvalorizar. Em suma, a pessoa está querendo que o seu dinheiro, anteriormente guardado/parado, se multiplique no futuro apenas com o passar do tempo e juros. 

Pelo modo que eu estou escrevendo, talvez pareça que eu seja contra investir ou algo parecido, porém, na verdade, apenas quero chamar atenção que é uma “aposta”, com seguranças e certezas, mas uma aposta. Esse risco, denominação dada para o fato de que não é uma certeza absoluta, é inerente em ativos financeiros e sempre existirá. 

Portanto, o que eu posso escrever sobre isso é o seguinte: invista o dinheiro que você não utilizará para viver, pagar contas, etc. Investir é uma maneira muito digna de trabalhadores “comuns”, como nós, em juntar um dinheiro inimaginável, porém não podemos comprometer (se endividar), para isso acontecer, porque, afinal, é uma aposta e existe o risco.

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Outro ponto que gostaria de salientar está relacionado a diversificação de carteira. Essa terminologia, refere-se ao fato de que o ideal seria possuir diversos ativos financeiros diferentes, assim diluindo os riscos e as possíveis perdas. Todos esses pontos que comentei nos últimos parágrafos, podem e, em certo sentido, devem ser levados em contas para qualquer pessoa que deseja adentrar no mundo de ativos financeiros. 

Após essa introdução bastante breve, gostaria de comentar um pouco sobre o mercado de criptomoedas e suas instabilidades, que podem ser perigosas e assustar qualquer um. Nos últimos 12 meses, o Bitcoin – principal expoente do mercado – teve perdas de 21,70% em seu valor, passando de 185 mil para 145 mil reais. 

Por ser o expoente do mercado foi natural que as perdas do Bitcoin fizessem que todo o mercado caísse junto. Além disso, a queda do token Luna, que caiu de US$ 120 para zero, também abalou o mercado e gerou instabilidades. Portanto, o que gostaria de frisar é que o mercado de criptomoedas pode te gerar muitos ganhos, assim como muitas perdas. 

Os motivos das quedas estão relacionados, em certo sentido, ao desconhecimento e o medo das pessoas. Existe uma frase na economia que eu, particularmente, gosto muito: economia está relacionada com as expectativas das pessoas, ou seja, quando as pessoas (investidores, consumidores, etc.) possuem boas expectativas, as chances de as coisas darem certo são maiores, o que ao contrário também vale.

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Nesse sentido, um mercado tão difícil de entender para boa parte de leigos e que parece não ter uma sustentação ou lastro “real”, com certeza será instável, devido à assimetria de informações. Sem possuir os dados e compreender realmente o que está acontecendo, as pessoas ficam com medo e acabam gerando crises maiores ainda. 

Só gostaria de frisar sobre o lastro “real”, já que algumas moedas estão sim “ancoradas” (lastreadas) em coisas (moedas) reais, como por exemplo o dólar (ou ouro, etc.). Apesar dessa segurança, devemos ficar atentos, afinal, o token Luna estava pareado ao dólar e no outro dia não estava mais. Talvez eu esteja exagerando (ou não), porém o que quero fazer é chamar sua atenção de um mercado instável, apesar de muitos afirmaram que não.


Comentários finais, paixão e curiosidades

Apesar de tudo apontado por essa coluna, seria loucura de minha parte não afirmar que o mercado de criptomoedas e o futebol estão cada vez mais próximos. Se eu fosse mais radical, poderia afirmar, sem medo de errar, que é um caminho sem volta essa relação. 

O FC Ryukyu, a partir do FCR Coin, provavelmente inaugurará, se o projeto der certo, uma onda que afetará o futebol japonês nos próximos anos. Acredito que uma comparação viável com a nossa realidade seriam as SAF (Sociedade Anônima do Futebol). É plausível imaginar que se o Botafogo, Cruzeiro e Vasco derem certo como SAF, teremos uma grande onda nos próximos anos com outros clubes aderindo.

Foto: Reprodução internet
Dito isso, gostaria de salientar um ponto relacionado à instabilidade de mercado, o que para o futebol pode ser maior ainda. Quando estamos falando de clubes de futebol, estamos, invariavelmente, comentando sobre paixão, o que muitas vezes não possui racionalidade. Ser racional é necessário quando estamos falando em investimento, logo, é preciso ser racional em um mercado futebolístico que é passional. Essa dicotomia é importante de ser compreendida e é preciso tomar cuidado, afinal, você está colocando seu “suado” dinheiro em um ativo, muitas vezes transvestido de sua paixão.

(Foto: Getty Images)
Por último, para finalizar essa (longa) coluna, gostaria de realizar uma pequena crítica ao FC Ryukyu. Para um projeto dito “mundial” e com projeções de melhorar o futebol na Ásia, não ter as informações em inglês acaba afastando potenciais investidores. Talvez eu esteja sendo chato, mas achei importante salientar sobre esse pequeno ponto, que, na prática, é insignificante para uma ideia que parece ser muito boa.


Bom final de domingo a todos e até semana que vem!









SOBRE O AUTOR:







BRUNO PERADOTTO | REDATOR | @brunoperadotto - Apenas mais um entusiasta de futebol e cultura japonesa. Bacharel em Ciências Econômicas e pós-graduado em Gestão de Pessoas, ambas pela PUCRS. Atualmente, um aspirante a treinador pela ATFA (Licença C e B), pós-graduando em Futebol e realizando um bacharel em Educação Física pela UFRGS.


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