Santos lança novo uniforme em homenagem ao Japão
Camisa estreou nesta quinta, diante do Coritiba, na Vila Belmiro
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| Foto: divulgação |
O Santos e a Umbro lançaram um novo uniforme em homenagem ao Japão. A camisa azul-escura possui ainda carpas desenhadas ao longo do tronco e é uma homenagem do time da Vila à ligação histórica que o Peixe tem com país asiático.
A estreia aconteceu nesta quinta-feira (26) diante do Coritiba, na Vila Belmiro, enquanto no domingo (22), Santos e Umbro mostraram a camisa pela primeira vez na famosa Shibuya Cross em Tokyo.
O uniforme faz parte do projeto Santos do Mundo, que relembra as histórias do clube em todos os continentes, seja uma comemoração ao time que parou uma guerra na Nigéria, ou mesmo uma lembrança da passagem do Rei Pelé pelos Estados Unidos.
Ao chegar no continente asiático, o Santos relembra que foi pelo porto da cidade, o maior da América Latina, que há 115 anos, iniciou a imigração de japoneses para o Brasil. Na cidade é possível encontrar dois monumentos celebrando a chegada dos nipônicos no Brasil, uma escultura de uma família japonesa apontando para o mar, enquanto um outro membro da família segue em Kobe, de onde saiu o navio Kasato Maru, que continua apontando eternamente para Santos. Além de uma escultura feita por Tomie Ohtake e inaugurada pelo Imperador Naruhito, em 2008.
O time da Vila Belmiro, através de sua história, atuou em 16 partidas em terras japonesas, foram 11 vitórias, 4 empates e somente uma derrota, justamente para o Barcelona, na final do Mundial de Clubes de 2011.
Samurais da Vila
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| Kazuyoshi Miura atuando com a camisa do Santos Foto: reprodução internet |
A relação do Santos com o Japão também passa por jogadores que fizeram história no alvinegro praiano e no Japão. Paulo Jamelli, por exemplo, trocou o próprio Santos pelo Kashiwa, em 1996.
Mas o time da Vila também recebeu alguns japoneses com o manto alvinegro. Foram 5 jogadores ao longo da história, o mais famoso é Kazuyoshi Miura, ou apenas Kazu. O maior jogador da história da J.League, bicampeão da liga, campeão da Copa do Imperador, realmente faltou uma taça na Vila Belmiro, por onde passou em 1986. No ano anterior, o irmão de Kazu, Yasutoshi Miura também passou pelo Santos.
Em 1988, chegou Musashi Mizushima, o primeiro japonês a atuar no Brasil. Musashi permaneceu até o meio de 1989, mas também sem muito destaque. Vale lembrar que Mizushima é a representação na realidade do lendário Oliver Tsubasa.
10 anos mais tarde, em 1998, chegou Masakiyo Maezono, que ficou no Peixe até o final daquele ano e marcou história no Brasil por um gesto inusitado. Durante uma partida contra a Portuguesa, pelo Brasileirão daquele ano, a torcida pediu para a entrada do japonês e ele abriu o placar e mandou o gesto de silêncio pra própria torcida! Ao ser perguntado o porquê do gesto, o japonês disse que não sabia o significado e que só havia achado legal.
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| O dia em que Masakyo Maezona mandou sua própria torcida calar a boca Foto: reprodução internet |
No ano seguinte, chegou Tomo Sugawara, mas também ficou apenas um ano e não teve muito destaque.
Em 2011, quase que um astro das nossa geração passou pelo Brasil e atuou com Neymar e Ganso. Após uma boa partida na semifinal do Mundial de Clubes, Muricy Ramalho se interessou por ninguém menos que Hiroki Sakai. O lateral já havia jogado no Mogi Mirim em 2009, mas foi quando voltou ao Kashiwa Reysol que chamou a atenção do mundo. O Santos até tentou, mas os japoneses não venderam Sakai, que depois foi para o Hannover 96 e para o Olympique de Marselha, antes de retornar ao Japão e ser campeão asiático com o Urawa Red Diamonds, mas imagina só se ele tivesse jogado no Santos?
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| O zagueiro Joaquim com a nova camisa do Peixe Foto: reprodução / Instagram |
Voltando à camisa nova. O modelo traz uma grande celebração da história do Santos Futebol Clube, da cidade de Santos e do Japão, com o desenho do mar e as diversas carpas que, além de representar o apelido do clube, também faz alusão à lenda da carpa que lutou contra a correnteza de um rio e ao vencê-la e subir uma cachoeira, se tornou um forte dragão. Curiosidade nerd: Está é a mesma lenda que inspirou Magikarp e Gyarados.
Uma boa analogia para o momento atual do Santos, que precisa lutar contra a ‘correnteza’ da série A, subir na tabela e evitar o rebaixamento inédito na história do clube.
O evento, realizado no memorial do clube, reuniu ídolos eternos do Santos como Pepe e Edu, além de Edinho, o filho do Rei Pelé. Membros da comunidade também marcaram presença, como o cônsul para Assuntos Políticos e Gerais do Consulado Geral do Japão em São Paulo, Sr. Hiroyuki Ide.
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| Foto: reprodução / Instagram Santos FC |
O Sr. Ide revelou em seu discurso que se tornou um grande fã do Santos nos anos 1980, quando Kazu passou pela Vila. “Eu sou um grande admirador de Kazuyoshi Miura e fico muito feliz de estar aqui no Santos hoje”, disse o representante.
Já Edu contou a história da excursão realizada pelo Peixe no Japão em 1972. “Nós fomos jogar e o Imperador fez questão de descer do trono e ir cumprimentar a todos nós. Uma coisa incomum pra alguém tão importante.”, declarou o ex-atacante.
Os uniformes de jogo traziam uma grande curiosidade também. Os jogadores do Santos traziam estampado às costas, o nome de cada um dos navios que trouxeram os primeiros imigrantes japoneses para o Brasil, com o camisa 10, Soteldo, trazendo o nome do Kasato Maru, o primeiro de todos.
E em campo, o Santos contou com a força da carpa para vencer o Coritiba por 2 a 1. Aos 4 minutos, Lucas Lima cobrou falta e o zagueirão Joaquim testou pro fundo da rede.
Mal deu tempo do Santista comemorar, no minuto seguinte o Coritiba foi pro ataque e Slimani, ao dominar, faz com que o zagueiro Dodo toque a bola com o braço. Um pênalti muito discutível é marcado por Wagner do Nascimento Magalhãe, mesmo após o VAR recomendar a revisão. Robson bateu e igualou a partida.
O jogo seguiu com o Santos tendo muitas dificuldades de criar, mesmo com os visitantes tendo um jogador a menos, já que o volante Willian Farias foi expulso ainda no primeiro tempo.
A realidade é que o time da vila parecia desconexo, com os jogadores de meio devendo em criatividade e sempre se distanciando, deixando os espaços e sem confiança para fazer uma virada de jogo.
Quando Tomás Rincón e Jean Lucas começaram a trabalhar a bola com mais calma e qualidade, a bola chegou em Soteldo, que driblou o marcador e jogou a bola na cabeça de Marcos Leonardo marcar o segundo do Peixe.
Com o ânimo renovado e o alto cântico da torcida que tem um orgulho que nem todos podem ter, o Santos apertou ainda mais o Coritiba contra as cordas, mas foi quando Joaquim lançou a bola para Marcos Leonardo que a Vila Belmiro veio abaixo, no bom e mau sentido.
O camisa 9 encobriu o zagueiro e fuzilou a rede de Gabriel, marcando um golaço digno de Pelé, que por tantas vezes já fez magia em Santos, o ápice da torcida foi cortado quando o VAR traçou as linhas para confirmar o impedimento marcado em campo. O único problema é que a linha foi traçada no cotovelo do santista e não no ombro, como determina a regra.
Mas o jogo terminou assim, o Santos empurrado pela cultura japonesa, que foi acolhida pela cidade há 115 anos, venceu o Coritiba por 2 a 1 e respirou na escalada da cachoeira que é a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.
MATHEUS BRAGA | @oMatheusBPaes - Formado em Jornalismo pelo Mackenzie, pós-graduando em Jornalismo Esportivo pela Cásper Líbero. Consumidor de light novels, mangás e animes e apaixonado pela cultura oriental. |






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