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30 anos da J-League: a influência brasileira

Foto: Japão FC

Se você perguntar a um torcedor brasileiro sobre o futebol
japonês, há uma grande chance dele pensar num nome simples, de quatro letras, e
que uma enorme torcida do Brasil conhece ou já ouviu falar: Zico, craque
histórico do Flamengo e da Seleção Brasileira, que também tem um grande legado
no Japão. 



Zico é o maior exemplo de como o futebol estrangeiro, em
especial o brasileiro, cooperou para o desenvolvimento da J-League para se
tornar uma liga competitiva na Ásia e um grande atrativo para atletas, jovens e
veteranos, do mundo inteiro.



E a influência não existe somente dentro de campo, mas à
beira dele, com muitos treinadores brasileiros se destacando entre os vários
estrangeiros que realizaram grandes feitos e conquistas no Japão.



Dito isso, este episódio se dedica em relembrar os
principais destaques brasileiros do futebol japonês, tanto no passado quanto no
presente. E, como já citamos acima, não poderíamos começar essa parte sem
mencionar o Galinho de Quintino.


Zico, o primeiro
grande destaque brazuca na J-League

Imagem que representa bem a idolatria do japonês por Zico
Foto: site oficial do Kashima Antlers
A história de Zico com o futebol japonês começou em 1991,
quando o veterano jogador brasileiro, aos 38 anos de idade, chegou ao Kashima
Antlers, quando o clube ainda se chamava Sumitomo Metals e disputava a JSL 2, a
segunda divisão da era amadora. Ele disputou as duas primeiras temporadas da
J-League com o Kashima.

Zico fez 35 gols em 45 jogos pelo clube de Ibaraki, sem
ganhar grandes títulos, mas conquistando o acesso do antigo Sumitomo na JSL 2 e
a Suntory Series, o primeiro turno daquela temporada, sendo esta última
qualificando o Kashima Antlers para a final contra o Verdy Kawasaki (Tokyo
Verdy, atualmente), onde acabou como vice-campeão japonês.

O ídolo do Flamengo jogou no Kashima até sua aposentadoria
dos gramados, em 1994, mas sua jornada no futebol japonês não pararia ali. Em
1999, no mesmo clube onde jogou pela última vez profissionalmente, Zico teve
sua primeira experiência como treinador, durante seu período como diretor dos
Antlers, de 1996 a 2002.

Zico não chegou a ganhar títulos, mas teve um bom rendimento
como técnico interino do Kashima, com 10 vitórias, dois empates e só três
derrotas em 1999. Após sua passagem como diretor do clube, ele assumiu a
seleção japonesa à convite da JFA, em seu primeiro trabalho de fato, e lá
conquistou um de seus principais títulos como treinador: a Copa Asiática de
2004.

















Depois de rodar o mundo como treinador, Zico retornaria ao
Kashima Antlers, um time que agora está bem consolidado no Japão, em 2018,
assumindo o papel de diretor técnico do clube. Hoje, ele atua como conselheiro
do clube ao qual ele contribuiu bastante para ser um dos mais populares e
competitivos do país, tanto dentro quanto fora dos gramados.


A "invasão"
de jogadores e técnicos brasileiros

Ídolo do Kashiwa Reysol, Nelsinho Baptista é o brasileiro com maior sucesso como treinador na Terra do Sol Nascente
Foto: Getty Images
A ida de Zico ao Japão influenciou muitos jogadores
brasileiros a atuarem no Japão, tamanha era a influência que o Galinho teve
quando foi ao Kashima Antlers. E isso também fez com que surgisse um apelo para
que treinadores brasileiros também começassem a trabalhar nas ilhas nipônicas.

O próprio Kashima Antlers, por exemplo, já contou com nove
técnicos brasileiros em toda sua história; Edu, João Carlos, Zé Mário, Zico,
Toninho Cerezo, Paulo Autuori, Oswaldo de Oliveira (tricampeão de 2007 a 2009),
Jorginho e Antônio Carlos Zago. Dentre os jogadores, se destacam
historicamente, além de Zico, Leonardo, Alcindo, Bismarck, Jorginho (de novo ele) e o
atacante Fábio Júnior.

Muitos outros atletas e treinadores também se destacaram por
outros clubes ao longo dos 30 anos da J-League, muitos como
artilheiros, campeões e premiados após a temporada. Um grande exemplo é
Nelsinho Baptista, que fez história em suas duas passagens pelo Kashiwa Reysol,
conquistando seis títulos, sendo um deles a J-League de 2011.

Na questão da artilharia, podemos destacar que a J-League
teve artilheiros brasileiros em 13 temporadas, com destaque para o período
entre 2003 e 2008, onde sete jogadores diferentes foram artilheiros em seis
temporadas consecutivas. São eles: Ueslei (Nagoya Grampus), Emerson (Urawa
Reds), Araújo (Gamba Osaka), Washington (Urawa Reds), Magno Alves (Gamba
Osaka), Juninho (Kawasaki Frontale) e Marquinhos (Kashima Antlers).

















Além deles, Will já havia sido o artilheiro de 2001, com 24
gols pelo Consadole Sapporo, Leandro fez 19 gols em 2016 com o Vissel Kobe, Jô
anotou 24 vezes com a camisa do Nagoya Grampus em 2018, e, em 2019, Marcos
Júnior fez 19 gols com o Yokohama F. Marinos. Mais recentemente, Leandro
Damião, do Kawasaki Frontale, fez 23 gols em 2021, e Thiago Santana foi o
artilheiro da temporada de 2022, com 14 gols pelo Shimizu S-Pulse.


Brasileiros ainda na
J-League

Vice artilheiro da J1 com nove gols marcados, Anderson Lopes é o principal destaque "brazuca" no Japão nesta temporada
Foto: Getty Images
Na atual temporada da J-League, a competição começou com 45
brasileiros entre os 18 times participantes, representando exatamente 50% do
percentual de atletas estrangeiros no início da competição.

Dentre os que se destacam na atual temporada de 2023, estão
o trio de brasileiros do Yokohama F. Marinos, formado por Marcos Júnior, Élber
e Anderson Lopes (artilheiro entre os brazucas, com 9 gols), e a dupla Leandro
Damião e João Schmidt, que atua no Kawasaki Frontale. Também se destacam
atualmente Léo Ceará, do Cerezo Osaka, Patric, do Kyoto Sanga, e Douglas, do
Sanfrecce Hiroshima.

Entre os técnicos, o único que estava na J1 neste ano era
Nelsinho Baptista, mas foi recentemente demitido do Kashiwa Reysol pela
campanha ruim em 2023. A principal presença brasileira hoje na J-League está na
J2, onde Fábio Carille, campeão brasileiro em 2017 pelo Corinthians, comanda o
V-Varen Nagasaki, que atualmente está na 4ª posição, dentro da disputa pelo
acesso à J1 em 2024.













Para além da contribuição para o fortalecimento da liga, a
presença brasileira também foi fundamental para o desenvolvimento do futebol japonês,
com os clubes conquistando títulos internacionais e muitos jogadores japoneses
começando a ganhar espaço em outros mercados. Mas isso será tema do nosso
quarto e último capítulo no Especial J-League 30.


👉 Confira aqui os capítulos anteriores









SOBRE O AUTOR:







MATHEUS TAKAHASHI | @takamatheus -  Natural de Brasília, é geógrafo pela UnB e especializado em Geografia do Futebol. Já foi professor e redator em sites de notícias. Amante do futebol, aprecia o futebol japonês como forma de se conectar com a cultura nipônica.
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