Sayōnara, Pelé: A relação do Rei com o Japão
O
rei do futebol nos deixou aos 82 anos
Foto: Twitter / Masahide Tomikoshi (@tphoto2005)
Nesta quinta-feira, dia 29 de dezembro de 2022, morreu Edson Arantes do Nascimento, o
Rei Pelé. Aos 82 anos, o rei faleceu em decorrência de um câncer de cólon descoberto
em 2021.
Pelé
teve grande relação com o povo japonês e com o futebol nipônico, mesmo sem ter
atuado, oficialmente, por um clube local. É fato que ao falarmos de relação
futebolística entre Brasil e Japão, pensamos no Zico, mas o Rei é importantíssimo
para o desenvolvimento do Japão como uma potência esportiva dentro da Ásia.
Embora
o “Galinho” tenha ajudado a transformar o campeonato japonês, o sucesso
futebolístico no Japão passa pelos pés de Kunishige Kamamoto, a primeira
estrela do futebol japonês. Kamamoto tem brilhante história dentro do esporte
nipônico e você pode conferir um texto só sobre ele aqui no Japão FC, mas é
preciso ressaltar a amizade do primeiro “superstar” japonês, com o rei.
Já
pelo Cosmos, Pelé enfrentou Kamamoto e a seleção japonesa em 1977, em seu
último jogo na Terra do Sol Nascente. O resultado foi 3 a 1 para os americanos,
com 2 gols do rei. Desenvolveram uma grande amizade, uma relação tão forte que
fez o rei vestir a camisa do Yanmar Diesel, hoje Cerezo Osaka, na despedida de
Kamamoto em 1984.
E
se te disserem que Pelé quase disputou o campeonato japonês? Pois é, o próprio
rei destacou o fato em publicação no Facebook, relembrando o jogo de 1977 e
falando sobre sua relação com o país. “Tenho muitas lembranças boas do Japão
[...] Quando parei de jogar pelo Cosmos, me foi oferecido um contrato para
jogar lá (Japão), mas a aposentadoria foi o melhor para mim”, escreveu Pelé.
Quando
falamos de Japão, é inevitável não lembrar da cultura pop do país. Animes,
Mangás, Novels, todas as obras da “nova” literatura japonesa, mas e se eu te
contar que Pelé tem participação em um dos grandes sucessos da indústria? Você
provavelmente conhece Oliver Tsubasa, do anime “Captain Tsubasa”, ou Super
Campeões aqui no Brasil. O ícone do futebol japonês foi criado por Yoichi
Takahashi é inspirado em Musashi Mizushima, que jogou pelo São Paulo na década
de 1980.
Mas
onde entra o Rei Pelé nessa história? No início! Musashi, apenas com 10 anos,
foi observado por Pelé em uma de suas viagens ao Japão e, notando a habilidade
do garoto, aconselhou a família a tentarem alavancar a carreira do “futuro
Tsubasa” no Brasil. Com o aval do rei, a família Mizushima desembarcou em
Santos no ano de 1975, mas o Peixe não tinha uma equipe de base compatível com
a idade de Musashi e a familia, aconselhada por Zoca, o irmão de Pelé, buscou o
São Paulo, onde o jovem fez história e se tornou o primeiro jogador japonês a
atuar em uma equipe brasileira.
Os
passos de Musashi foram seguidos por um outro jovem japonês que desfilou seu
futebol aqui no Brasil, e ainda desfila por aí com 55 anos. Kazuyoshi Miura, o
Kazu, que com 15 anos deixou o Japão e veio ao Brasil para se tornar
profissional. Kazu chegou a atuar, veja só, pelo Santos!
Já
em 2002, quando a Copa do Mundo foi sediada no Japão e na Coreia do Sul, o
Brasil se sagrou pentacampeão mundial de futebol, contando com muito apoio da
torcida local e, é claro, de Pelé. Lá estava o Rei em Yokohama para entregar a
taça para os campeões. Cafú revelou que na icônica celebração, quando subiu no
púlpito e ergueu a Copa, teve uma ajudinha de Pelé para realizá-la.
A
última vez que Pelé esteve no Japão, foi em 2011, em circunstâncias não muito
agradáveis, o país acabava de passar pelas tragedias do terremoto e tsunami que
atingiram as regiões de Fukushima e Sendai. O Rei visitou as regiões afetadas e
prestou auxílio às famílias afetadas pela tragedia.
Embora
a última vez de Pelé no Japão tenha sido em 2011, o Rei nunca deixou de amar o
país, a paixão era tão grande que ultrapassou as fronteiras. Em 2016, Pelé
casou-se com Márcia Aoki, sua terceira e última esposa, uma descendente de
japoneses natural de Penápolis. O rei contou em uma entrevista, 10 anos atrás,
que já havia conhecido Márcia há muitos anos, mas que somente se reencontraram
em 2010, para nunca mais se separarem. “Ela será minha última namorada”,
declarou Pelé. Dito e feito.
Pelé
e Japão podem não “andar de mãos dadas”, mas é inegável que o carinho nutrido
pelo Rei para com o país é recíproco. A J-League postou uma homenagem no
Twitter. “A J.LEAGUE deseja estender suas mais profundas condolências à família
e amigos de um dos maiores ícones do futebol e um homem que trouxe alegria a
tantos, inclusive aqui no Japão”.
Foram
1.282 gols em 1.363 jogos, diversos títulos e milhões de fãs em diversas partes
do mundo. Pelé se tornou uma lenda, um Rei para todos aqueles que amam o
futebol no Brasil, na Europa e no Japão. Inspirou diversos craques, moldou e
ajudou no desenvolvimento do futebol global. Isso foi Pelé, ou melhor, isso é
Pelé. Esse é o legado do Rei que, infelizmente, nos deixou.
Arigatōgozaimasu,
Pelé. Vida eterna ao Rei!
MATHEUS BRAGA | @oMatheusBPaes - Formado em Jornalismo pelo Mackenzie, pós-graduando em Jornalismo Esportivo pela Cásper Líbero. Consumidor de light novels, mangás e animes e apaixonado pela cultura oriental. |


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