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PONTO A PONTO: Analisando o desempenho do elenco japonês no Catar

Divididos por categorias, confira cada
um dos atletas e seus respectivos desempenhos na Copa do Mundo

Foto: Getty Images

A Copa do Mundo acabou no
último domingo, premiando a Argentina de Lionel Messi com o tri-campeonato mundial. Para o Japão, no entanto, ela acabou um pouco mais cedo, no dia cinco
deste mês, ainda nas oitavas de final, em eliminação para a Croácia em uma
disputa de pênaltis após o empate em 1 a 1 no tempo regulamentar.



Com a melhor geração de sua
história, os Samurais Azuis não conseguiram bater a meta de alcançar a inédita
fase de quartas de final, mas o Moriyasu
Japan
deixou marcas no Catar. As duas vitórias históricas contra Alemanha e
Espanha chocaram o mundo. O revés contra a Costa Rica deixou um gosto
lamentável, mas ainda assim os japoneses conseguiram a classificação na ponta
do considerado grupo da morte.



O Japão encerra a sua 7ª
participação em Copas com um honroso 9° lugar, a mesma posição de 2010 e 2002.



Hoje nós vamos avaliar o
desempenho de cada um dos 26 atletas japoneses na Copa que se encerrou.






















 🏖👣 Foram para passear ou pouco
participaram:

Foto: JFA

Eiji Kawashima: Próximo
dos 40 anos de idade e 4° jogador mais velho do torneio, Kawashima chegou no
Catar para disputar a sua digníssima 4ª Copa do Mundo. Atleta do Strasbourg
(FRA), o veterano foi convocado como 3º goleiro do Japão. Considerado
importante no vestiário, o jogador cumpriu número e evidentemente não jogou
nenhum minuto.



Daniel Schmidt: Titular no
Sint-Truiden (BÉL), Schmidt é o reserva natural de Gonda e detentor do título
de goleiro mais alto da história do selecionado japonês. Não entrou em campo em
nenhuma ocasião.



Miki Yamane: Um dos sete
convocados que disputa a J-League. Yamane tem a ofensividade como o seu ponto
forte sendo um dos destaques do futebol local há anos sendo um dos melhores na
lateral direita no país. Jogou 62 minutos na Copa, todos eles contra a Costa
Rica. Levou um cartão amarelo e foi substituído.



Gaku Shibasaki: Camisa 7,
o meio-campista perdeu espaço conforme a Copa se aproximava, e quando ela
chegou, também não entrou em campo. Particularmente, este que vos escreve
gostaria de tê-lo visto nos minutos finais contra a Croácia, mas a postura
japonesa na partida em questão estava, aparentemente, à vontade com o empate.



Shuto Machino: Japonês com
mais gols na última edição da J-League, Machino entrou na convocação devido ao
corte de Yuta Nakayama no dia 8 de novembro. Jovem atacante do Shonan Bellmare,
ele volta para a casa sem minutagem.



Ayase Ueda: O único
centroavante “de fato” na convocação. Ueda foi reserva durante a Copa e jogou
somente 45 minutos contra a Costa Rica. Móvel, ele participou bastante, mas não
arranjou problemas. Saiu no intervalo e infelizmente segue com zero gols com a Hinomaru.


🤡 Não deixaram saudades:

Foto: JFA

Takumi Minamino: Atuando
na Europa desde 2015 e com badalação, Minamino pode ser considerado — pelos que
não acompanham os Samurais Azuis — como um dos principais nomes da seleção e
destaque absoluto, mas não é bem assim que a banda toca. Mesmo com o número 10
nas costas, o jogador do Monaco chegou no Catar em mal momento. Com um ciclo
abaixo das expectativas, Minamino até conseguiu se mostrar útil no último mês,
mas durou pouco. Saiu do banco na estreia e correspondeu: é dele a finalização
que gera o gol de Doan, empatando a partida. Contra a Costa Rica, entrou nos
minutos finais. Mal tocou na bola, e obviamente não pode ser o culpado. Ficou de
fora contra a Espanha e saiu do banco contra a Croácia no jogo decisivo, mas
infelizmente ele repetiu o que vinham sendo suas atuações durante os últimos
tempos. Andando em campo e tocando para trás, ele assistiu o tempo passar.
Durante a disputa de pênaltis, ao menos teve a dignidade de como atuante no
Velho Continente e camisa 10, pegar a bola para abrir as cobranças. Acabou
desperdiçando, o que fatalmente deixou ainda mais pressionados os que viriam a
seguir.


Hiroki Ito: Zagueiro que
por vezes tem a capacidade de fazer a lateral esquerda, Ito entrou no intervalo
no lugar de Yuto Nagatomo, no duelo contra a Costa Rica. Em uma substituição
descabida já que o selecionado nipônico precisava do resultado, o jogador do
VfB Stuttgart (ALE) não agregou em nada. Passou boa parte do jogo passando a
bola para trás e evidentemente sem o cacoete ofensivo. Não auxiliou o
companheiro Mitoma e foi alvo de críticas no pós-jogo em questão. Além disso,
não conseguiu fazer a linha de impedimento no tempo correto, lance em que o gol
costa-riquenho aconteceu.


Yuki Soma: A grande
surpresa na lista. Soma se destacou recentemente na Copa do Leste Asiático e
pertence ao Nagoya Grampus. Na Copa, acabou jogando somente contra a Costa
Rica. Foram 82 minutos em campo. Ele até tentou, mas pouco produziu em um
terrível dia para a sua seleção.






🥀 Decepcionou:

Foto: JFA

• Daichi Kamada: Três de
junho deste ano. A capa e a 1ª página da Nikkan
Sports
afirmava: “Precisamos deste homem na Copa do Mundo”. A imagem tinha
Kamada abraçado por seus companheiros. A Copa do Mundo então chegou, e o
jogador do Eintracht Frankfurt (ALE) pisou em solo catari como o melhor jogador
da seleção japonesa. Voando no seu clube, infelizmente o camisa 15 não entregou
o que se esperava. Na estreia, conseguiu um jogo razoável, jogando até mesmo de
volante. Desarmou três vezes e venceu quatro de cinco duelos. Na segunda
rodada, ninguém o viu em campo, mas o time como um todo fazia uma partida
lamentável, então ele acabou se “safando”. Contra a Espanha, mais uma vez seu
nome não foi falado nas transmissões. No mata-mata, a mesma situação, apagado e
abaixo. Seria um dos cobradores nas penalidades, mas como foi substituído, nem
isso pôde fazer. Como vinha jogando todas as partidas, sua substituição teve
argumentos, e provavelmente o cansaço pesou o suficiente para não aguentar o
restante do jogo.


⛔ Atuações comuns ou pouco empolgaram:

Foto: JFA

Shūichi Gonda: Atuando na
J-League e apesar de sua equipe ter sofrido com o descenso na temporada, Gonda
ainda é n° 1 dos Samurais Azuis. Mostrando o seu valor, o goleiro do Shimizu
S-Pulse até conseguiu realizar algumas boas defesas na Copa, mas parou por aí.
Diante da Alemanha, por exemplo, é ele quem, de modo estabanado, comete o
pênalti em Raum; na cal, Gündoğan abriu o marcador. No decorrer da mesma
partida, o arqueiro japonês se redimiu: fez um restante de jogo seguro e
contribuiu para a vitória histórica com uma espetacular sequência de quatro
defesas, evitando o 2 a 0 que fatalmente mataria o jogo. Contra a Costa Rica,
não foi exigido, e a única finalização acabou entrando, em um lance
extremamente esquisito em que a bola “passou” por entre seus dedos. Na terceira
rodada, não teve culpa no gol espanhol de Morata, mas por um triz, não entregou
a classificação em uma finalização perigosa de Asensio já na reta final,
rebatendo a bola para a pequena área. Por sorte, Yoshida estava lá. Em seguida,
fez boa defesa em finalização de Olmo. Na partida eliminatória também passou
batido. Fez boas defesas no tempo normal contra os croatas, mas nada
impactante. Nas penalidades, não obteve nenhuma defesa.


Takehiro Tomiyasu:
Talentoso e carregando consigo a esperança da torcida para o setor defensivo,
Tomiyasu é uma das grandes promessas japonesas, mas aparentemente não esteve
100% durante a Copa. Com uma lesão recente pelo Arsenal (ING), o jogador foi
reserva no Catar. Fez 45 minutos razoáveis contra os alemães e ficou de fora na
segunda partida. Na terceira e última rodada, entrou no decorrer do confronto
contra a Espanha, no lugar de Kamada e jogando por 20 minutos pela ala direita.
Foi bem. Nas oitavas de final, vacilou no início do jogo, errando um passe
perigoso na própria área defensiva, mas fez jogo seguro após o ato.


Hiroki Sakai: Com 32 anos
e longe de sua melhor fase, Sakai iniciou a Copa com o “pé esquerdo”, falhando
na estreia. O jogador do Urawa Reds se descuidou da marcação em seu lado, fato
que gerou a penalidade sofrida por Raum. Não atuou contra a Costa Rica e também
ficou de fora contra a Espanha. No jogo em que o Japão deu adeus à Copa, entrou
em substituição que tirava Kamada de campo. Pela ala direita, Sakai somou 45
minutos com a prorrogação e foi eficiente em auxiliar o sistema defensivo e
colaborar com Ito, para que o companheiro focasse no seu jogo ofensivo, e não
mais em "marcar lateral". Cumpriu bem a sua função e conseguiu ajudar
o time até o final da partida.


Takefusa Kubo: Conseguindo
render e mostrando bom futebol na Real Sociedad (ESP), Kubo iniciou como
titular na Copa do Catar, mas a promessa japonesa foi “engolida” pelos alemães,
principalmente pelo defensor Rüdiger, e não voltou para a segunda etapa. Ele
ficou de fora contra a Costa Rica, jogo em que talvez pudesse ajudar. Retornou
ao time contra a Espanha, mas em uma partida em que o Japão mal tocava na bola,
pouco pôde fazer. Nas raras ocasiões em que tinha a posse, tentou jogadas
individuais, mas não causou efeito. Teria sido uma boa opção no decorrer do
jogo contra a Croácia, mas indisposto, sequer foi liberado para o confronto
decisivo.


Takuma Asano: Atacante
velocista e com pouco faro de gol, Asano chegou criticado (não pelo autor dessa
matéria) para a competição, mas registrou seu nome na história com o gol diante
da Alemanha, virando o jogo de forma apoteótica aos 38 do segundo tempo, saindo
do banco. Nas duas partidas seguintes, Moriyasu repetiu a dose, colocando o
jogador do VfL Bochum (ALE) durante os confrontos, mas infelizmente o raio não
caiu duas vezes (muito menos três) no mesmo lugar. Marcou bastante e em cima,
mas não causou danos. Enfrentando a Croácia, ele voltou a entrar em campo, mas
mais uma vez não funcionou, agora engolido pelos croatas e perdendo todas as
disputas. Para a sua defesa, foi o único jogador do Japão a converter um
pênalti na eliminação.






























 
👏 Surpreendeu e ficou bem na fita:

Foto: JFA

• Shogo Taniguchi: Com mais
de 30 anos e capitão do poderoso Kawasaki Frontale, Taniguchi ainda assim é
destaque local, e não havia feito partidas de nível tão alto em sua carreira
como as que foram realizadas nos palcos da maior competição do planeta. O
zagueiro apareceu no time titular de forma “inesperada” na terceira e última
rodada, jogo em que valia a vaga ao mata-mata. Em uma linha de três ao lado de
Maya Yoshida e Ko Itakura, era ele quem completava a defesa, e não Takehiro
Tomiyasu, que agora estava no banco. Ao fim do dia, Taniguchi saiu de campo aos
elogios. Não teve nenhuma culpa no gol de Morata, e bloqueou finalizações,
cortou o perigo e venceu todos os seus duelos aéreos (3/3). Com o bom jogo
feito, foi mantido na equipe titular contra a Croácia, e mais uma vez, não fez
feio, fazendo uma partida praticamente sem falhas.


👍 Tiveram bons momentos e fizeram boas partidas:

Foto: JFA

• Maya Yoshida: O zagueiro
veterano do Schalke 04 (ALE) fez grande jogo na estreia diante da Alemanha, mas
cometeu erro bobo na rodada seguinte, contra a Costa Rica. O passe mal
executado e na “fogueira” complicou Hidemasa Morita, lance em que ocorreu o gol
adversário. No encontro derradeiro com a Espanha, liderou o time como um
capitão deve fazer, e se mostrou em grande forma. Yoshida foi quem salvou com o
bico da chuteira o que seria o gol que eliminaria os Samurais Azuis após rebote de Gonda
no apagar das luzes. Contra a Croácia, fez partida razoável, mas saiu com uma
assistência no gol de Maeda. Como um dos mais experientes do plantel, se
prontificou a cobrar um dos pênaltis, mas infelizmente também parou em Dominik
Livaković.


• Hidemasa Morita: Não
entrou em campo na estreia, mas ganhou uma oportunidade contra a Costa Rica. No
jogo em questão, seu time fez partida desastrosa, mas não por culpa dele.
Adiantou um pouco para tentar ajudar na construção, mas pouco fez. Tentou consertar
um passe de Yoshida, mas não conseguiu o suficiente, saindo o gol adversário.
Na terceira rodada, fez um primeiro tempo terrível, mas se recuperou e fez
grande jogo na segunda etapa. Nas oitavas de final repetiu o desempenho e
mostrou mais uma vez um bom futebol.


• Junya Ito: Titular
absoluto e melhor jogador do Japão nas Eliminatórias. O ponta direita que
inferniza as defesas adversárias. Este é Junya Ito. Extremamente útil durante
todo o Mundial, o jogador já estreou bem contra os alemães, incluindo uma
assistência para um gol (irregular e invalidado) de Maeda. Sem cacoete
defensivo, acabou bobeando na recomposição algumas vezes. No jogo contra a Costa
Rica jogou somente 20 minutos e não teve muito o que fazer. Enfrentando a
Espanha e na ala direita, Ito voltou a ir bem. Ele roubou a bola que gerou o
gol de Doan, por exemplo. Para o jogo do mata-mata, teve a infelicidade de “falhar”
no gol croata; ônus do esquema de Moriyasu, já que o jogador acaba por se
comprometer demasiadamente atrás. No entanto, se entregou ao máximo durante
toda a partida, gerando incômodo e perigo aos europeus. Terminou a partida
exausto.


• Daizen Maeda: Mais um
atacante corredor. Escalado por sua velocidade impressionante e sua capacidade
de pressionar incessantemente, Maeda se responsabiliza por perseguir quem quer
que esteja com a bola ao seu alcance. Fez um gol anulado contra a Alemanha e
não atuou contra a Costa Rica. Voltou a fazer o que sabe de melhor contra os
espanhóis, marcando, correndo e mordendo a todo instante, principalmente contra
as saídas de bola características da seleção de Luis Enrique. Funcionou, pois
conseguiu incomodar, inclusive em um dos gols japoneses na partida. Ele repetiu
a mesma atuação contra a Croácia, fazendo um bom jogo. Finalmente fez o seu
gol. Com um pouco mais de sorte, teria feito mais um.




























 
✨ Se destacaram ainda mais:

Foto: JFA

Ko Itakura: Mais um atleta
japonês que infelizmente sofreu com alguma lesão na véspera da Copa. Felizmente
conseguiu se recuperar a tempo para fazer uma grande competição. Perfeito na
estreia, o defensor do Borussia Mönchengladbach (ALE), fez tudo que era
possível. Cortou, desarmou, venceu duelos e de quebra, executou o lançamento
para o decisivo gol de Takuma Asano. Ele não foi exigido contra a Costa Rica e
não esteve envolvido no gol adversário. Contra a Espanha, foi ele quem “assistiu”
Morata subir e marcar o seu gol. Faltou leitura de jogo, coisa que,
infelizmente, muitos jogadores estão sujeitos a passarem. Levou um cartão
amarelo durante a primeira etapa como seus outros dois companheiros de zaga
(Yoshida e Taniguchi), mas fez um segundo tempo excepcional. Protegeu bem a
área e não deixou o perigo crescer. Infelizmente estava suspenso e não atuou
contra a Croácia.


Yuto Nagatomo: Doa a quem
doer, o bom e velho Nagatomo finalizou sua 
4ª Copa do Mundo com uma boa participação, sem sustos e sendo o melhor
da sua posição pelo selecionado japonês. Muito seguro em campo e necessário
também fora dele por toda a sua vasta experiência. Mesmo longe de seu “auge”,
Nagatomo foi bem em praticamente todo os jogos, principalmente no aspecto
defensivo — é verdade também que ele pouco avança, se restringindo a ficar
sempre atrás. Apareceu bem na frente contra a Croácia, já que a proposta dos
Samurais naquela partida era agredir mais. Fez bons cruzamentos e foi
substituído, assim como em todos os outros jogos, já que é o segundo mais velho
do elenco (atrás somente do goleiro Kawashima). É um daqueles que merecia as
quartas de final, um ídolo. BRAVO!


Wataru Endo: Voando na
Bundesliga com o VfB Stuttgart (ALE), Endo é um dos nomes em alta do Japão. Foi
bem contra a Alemanha e apareceu pouco contra a Costa Rica. Lesionado, ele
entrou somente nos minutos finais contra a Espanha para ajudar a segurar a
pressão. Na partida eliminatória contra a Croácia, mostrou ainda mais porque é
destaque em solo europeu. Fez jogo maiúsculo encarando o melhor meio de campo
da Copa do Mundo, coisa que nem mesmo a seleção brasileira conseguiu fazer. Foi
o melhor jogador em campo.


Kaoru Mitoma: Na ponta
esquerda do ataque, o grande nome dos Samurais Azuis — e também o principal
ponto de crítica ao treinador Moriyasu. Mitoma chegou na Copa nos braços do
povo e aclamado como um dos melhores jogadores do país. Inacreditavelmente o
jogador do Brighton & Hove Albion (ING) foi deixado no banco. Ele entrou no
decorrer da partida já na estreia contra a Alemanha, e ainda assim, deslocado,
jogando pela ala esquerda. Mesmo assim, a joia azul brilhou: puxando
contra-ataques, ele é o responsável pela jogada do primeiro gol, dando o passe
para Minamino finalizar para o rebote de Doan. Foi novamente reserva contra a
Costa Rica, e mais uma vez foi acionado. Entrou bem novamente, criou e gerou
perigo, mas dessa vez não teve quem colocar a bola no barbante. Na última
rodada, lá estava ele, sentado no banco de reservas uma vez mais. Entrou no
lugar de Nagatomo para jogar os últimos 45 minutos e mostrou ao mundo que não
se pode frear um talento, nem mesmo longe do seu habitat natural. Um show
individual, o 9 “pintou” o 7 no Estádio Internacional Khalifa. Mitoma
pressionou, forçando a defesa espanhola a errar. O resultado? Gol japonês.
Depois, ele foi até o limite após passe de Doan; evitou que a bola saísse - imagem que rodou o mundo  e entrou para a história das Copas - e em uma tacada,
deixou o amigo Ao Tanaka de frente para a baliza aberta, empurrando de coxa e
levando o país inteiro ao delírio. Foram somente 45 minutos, mas foram 45
minutos para a história do futebol japonês. Mas nem tudo são flores, e nem isso
foi capaz de fazê-lo ser titular no mata-mata. Mitoma saiu do banco contra a
Croácia quando o Japão sofreu o gol de empate, e ele bem que tentou. Faltou
pouco para virar herói de novo, mas a sua arrancada em velocidade e a sua
finalização de média distância infelizmente pararam no arqueiro croata. Mais
doloroso ainda foi tê-lo visto perder a sua cobrança de pênalti na fatídica
disputa que culminou na eliminação japonesa, mas o futebol tem dessas, e quase
nunca ele é justo. Mitoma entrou no Catar como uma potência de jogador, mostrou
suas credenciais, mas infelizmente deixa o Mundial soluçando e em lágrimas com a
queda nas oitavas.


Ao Tanaka: Companheiro de
Mitoma desde os tempos de escola e passando pelas categorias de base do
Kawasaki Frontale até chegar ao ápice nos Samurais Azuis, Tanaka é mais uma
preciosa joia do futebol japonês que agora atua pelo Fortuna Düsseldorf (ALE).
Muito bem na estreia contra os alemães, ele ficou de fora contra a Costa Rica,
mas quando retornou contra a Espanha, foi ainda melhor, fazendo um jogo
gigantesco, sendo o melhor em campo. Um “cavalo” competindo contra a Fúria, o
meio-campista ainda marcou o gol da virada e classificou a seleção as oitavas
de final. Fechou a Copa saindo do banco contra a Croácia.










O “cara” do Japão! 

Foto: JFA

• Ritsu Doan: Um dos
pináculos da geração japonesa e potencial líder técnico dos Samurais, Doan não
virou reserva porque “flopou” como
alguns gostam de dizer; perdeu espaço porque o esporte é assim, e faz parte dar
o seu lugar a quem está se exibindo em melhor forma, caso de Junya Ito, o “dono”
das Eliminatórias para o Japão. Mas agora, no Catar, foi a vez de Doan tomar o
posto novamente para si e ser a "cara" do Moriyasu Japan na campanha. Ele saiu do banco contra os alemães e
igualou o marcador, esperto e bem posicionado para aproveitar o rebote de
Manuel Neuer em finalização de Minamino; com destaque, ganhou a chance de
iniciar contra a Costa Rica. Arriscou e não se omitiu, mas em um dia difícil
para o Japão, nada deu certo. Felizmente ele ainda tinha alguma (s) carta (s)
na manga para a partida contra a Espanha: atrás do placar, Moriyasu “chamou”
Doan ao “resgate”. E ele respondeu. Com um balaço de fora da área, deixou o
placar igual; minutos depois, participou do gol de Tanaka, acionando Mitoma
para a assistência. Iniciou como titular contra a Croácia na última partida do
Japão na Copa e demonstrou qualidade mais uma vez, e novamente esteve envolvido
em um gol, já que é ele quem cobra o escanteio e recebe de novo, agora em
jogada ensaiada, para levantar na área e esperar Maeda empurrar para o gol. Ele
deixou o gramado aos 42 minutos para a entrada de Minamino, e assistiu do banco
a eliminação de seu país durante as penalidades. Faltou um gol para ele se
tornar o 1° jogador japonês a anotar 3 tentos em uma mesma edição de Copa do
Mundo.


Foto: AP/Frank Augsten

As opiniões apresentadas no
texto acima correspondem SOMENTE ao redator que assina a matéria e não a equipe JAPÃO FC. Está aberta aos leitores a opção de concordarem e
discordarem de cada trecho livremente. O conteúdo também não implica em afirmar
X ou Y sobre cada atleta, tampouco algo sobre os próximos ciclos; por
esse motivo também não há uma avaliação do técnico Hajime Moriyasu, mantendo o
conteúdo restrito somente aos jogadores. 






SOBRE O AUTOR:





IGOR FERREIRA (@contactoigor) - Décadas de futebol, uma vida de Fluminense e anos de Sanfrecce Hiroshima. Nas horas vagas, um entusiasta das histórias de J. R. R. Tolkien, George R.R. Martin e C. S. Lewis e um admirador ferrenho do horror cósmico, do inominável e do indizível.
















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