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Crônica: A dor do crescimento

A Copa do Mundo do Japão passou longe de ser perfeita, mas passou mais longe ainda de ser horrível. Apesar da derrota, dá pra sonhar com coisas grandes para o futuro

Por Matheus Braga

Jogadores do Japão lamentam derrota nos pênaltis
(Foto: Getty Images)

O que se pode dizer depois de uma eliminação? Talvez não seja possível dizer nada, só sentir. Dói nos jogadores, dói na comissão, dói na torcida, dói em mim. Acompanhar esse time por 2 anos foi um grande prazer e uma grande alegria, alegria que continuarei tendo, pois escolhi a seleção japonesa como segunda torcida em qualquer copa. 

Por mais que agora, minutos após a eliminação, seja fácil apontar dedos e dizer o que foi errado, eu gostaria de tirar um pouco do meu tempo pra refletir. Uma reflexão necessária e dolorosa. 

Mas nem todas as dores são um mau sinal, muito pelo contrário. A dor de hoje deve, e precisa, servir como forma de impulsionar esses jogadores, essa torcida, esse país. A Copa do Mundo do Japão passou longe de ser perfeita, mas passou mais longe ainda de ser horrível. Quem viu o sorteio dos grupos, tinha dado o Japão como eliminado na fase de grupos, mas avançamos, em primeiro lugar ainda por cima. Vencemos a Alemanha e a Espanha. Só esses motivos já deviam deixar qualquer torcedor de um país como o Japão em êxtase, essas ‘conquistas’ não se apagam com a eliminação diante da Croácia.

Esse time merecia mais? Claro que merecia! O Mitoma não devia ter perdido o pênalti! Era o melhor jogador do time junto com o Doan. Mas isso acontece com todo mundo, não é porque a gente merece alguma coisa que isso tem que acontecer.

E é aí que vem a dor, a tal dor do crescimento, que citei no título desse texto. A dor de, mais uma vez, cair nas oitavas, precisa dar lugar ao entendimento de que o futebol japonês está mais forte a cada dia! Se em 2018 o time perdeu por besteira, e por qualidade, pra Bélgica, em 2022 fez frente à duas campeãs do mundo, tirou a Alemanha e não passou da Croácia por meros detalhes.


Foto: Getty Images

O futebol japonês já tem seus principais jogadores atuando em ligas gigantes, como a Bundesliga. O crescimento na exportação dos craques nipônicos é algo pra ser ressaltado! É todo um trabalho de base e de crescimento da J-League e do futebol japonês, que cresce junto com o futebol asiático.

Eu sei que é muito difícil ver o lado positivo das coisas após uma eliminação, ainda mais da maneira que foi, mas se a seleção japonesa já transformou a “Agonia” em “Jubilo de Doha”, dá pra pensar em grandes coisas pra Copa de 2026.

Se o Moriyasu-sensei deve ficar ou sair, é papo pra outro momento. Tem quem goste e tem quem desgoste. Talvez ele não seja o responsável direto, mas ajudou na formação dessa geração e desse time, isso não pode ser apagado. Ele tem erros, mas tem acertos, como todos os técnicos de futebol. A eliminação não pode apagar o que, na minha concepção, foi um bom trabalho. Ele precisa melhorar em alguns aspectos, mas avaliando nos dois anos que acompanhei, é um grande profissional.

Sobre os jogadores, alguns encerram seus ciclos, outros tem bagagem em Copa pra chegar na América do Norte e brigar pra escrever a história. Grandes atuações de Kaoru Mitoma, ou Ritsu Doan. Não tenho dúvidas de que chegarão mais fortes pra próxima.

A dor é grande, o time foi melhor que a Croácia, tomou um gol bobo e perdeu penalidades que não poderia perder, mas cabe aos japoneses, jogadores e cidadãos, entender que essa dor é o que leva ao crescimento. Se o plano é mesmo vencer uma Copa até 2050, o Japão está no caminho certo.

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