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OLHAR TÁTICO: os problemas de criação da seleção japonesa e as incertezas de Hajime Moriyasu

O Japão não consegue furar o bloqueio costa-riquenho e perde
na segunda rodada da Copa do Mundo

Hajime Moriyasu foi o principal alvo de críticas após  derrota japonesa
(Foto: Getty Images)

A segunda rodada da Copa do Mundo FIFA nos reservou uma
derrota, em certo sentido, inesperada da seleção comandada pelo técnico Hajime
Moriyasu. Na última postagem do OlharTático, comentei sobre qual versão do técnico japonês veríamos no jogo
contra a Costa Rica.

Na prática, não enxergamos nem o Japão do primeiro tempo
contra Alemanha e muito menos o da segunda etapa da épica vitória japonesa em
Doha. As razões e os porquês da queda japonesa nessa segunda rodada (tentarão) serão
explicadas nessa postagem.

Contudo, antes de entrarmos na análise do jogo em si,
gostaria de pontuar algumas questões mais gerais sobre o Catar, Copa do Mundo e
estilo de jogo versus adversários. Primeiramente, o jogo foi disputado à
1 hora da tarde em solo catari (7 horas da manhã em Brasília) com um calor de
32 graus Celsius, o que, obviamente, dificulta para as duas seleções.

De maneira mais objetiva, os jogos que estão sendo
disputados nessa faixa de horário dentro da Copa do Mundo estão sendo,
relativamente, mais lentos do que os demais. Isso explica, pelo menos em parte,
o jogo tecnicamente fraco e modorrento de ambas as seleções.

Outro ponto que gostaria de discutir com vocês está relacionado
com o estilo de jogo e os oponentes, já que no último domingo o Japão estava claramente
desconfortável em jogar contra um time fechado. É curioso pensarmos que o
Japão, na prática, possuí mais conforto em jogar contra times mais fortes do
que contra times inferiores tecnicamente.











A explicação desse fato é bastante simples, já que quando
você é inferior a um time, na teoria, você dará a bola para o adversário e com
isso você terá mais campo para correr, como por exemplo em um contra-ataque.
Esse espaço para correr foi algo muito observado no jogo contra a Alemanha e
inexistiu no jogo contra os costa-riquenhos.


O técnico Hajime Moriyasu repetiu a plataforma de jogo
utilizada no primeiro tempo do último jogo, porém mudou diversas peças, algumas
por opção técnica e outras por necessidade. O time entrou no 4-2-3-1 e, nos
primeiros minutos, até ensaiou uma pressão alta, que rapidamente se dissipou e
se transformou em um bloco médio e pressões no setor da bola.

(Foto: Bruno Peradotto)
O técnico Moriyasu precisou poupar Sakai e escalou Yamane na
direita, ao passo que trocou o Tanaka por Morita, Kubo por Soma, Junya Ito por
Doan e Maeda por Ueda. Portanto, foram cinco trocas em relação a escalação do
primeiro jogo, o que foi uma verdadeira surpresa, já que nem Soma, nem Morita e
muito menos Ueda atuaram contra Alemanha.

A Costa Rica atuou no 5-4-1 no momento defensivo e marcou em
bloco baixo em boa parte do jogo, o que dificultou as ações japonesas na
partida, principalmente na primeira etapa. Houve tentativas de abrir o campo
por parte do time nipônico, principalmente com Soma na ponta esquerda e Yamane
no corredor direito.





De modo geral, a seleção japonesa procurava realizar uma
saída com três jogadores (Nagatomo, Yoshida e Itakura), porém não conseguia
penetrar e atacar a última linha de defesa costa-riquense. O problema era tamanho
para a seleção japonesa que dava para observar que quando os zagueiros estavam
com a bola, os outros jogadores avançavam para uma linha acima, com o intuito
de alargar a linha de cinco do time adversário, porém isso abria um buraco na
intermediária ofensiva japonesa, que ficava praticamente sem jogadores.



Na segunda etapa da partida, o técnico Hajime Moriyasu mexeu
já no intervalo com as entradas de Hiroki Ito (saiu Nagatomo) e de Asano (saiu
Ueda). O treinador, possivelmente, pensou em fazer que Hiroki Ito realizasse o
que o Tomiyasu (fora da partida) fez no jogo anterior, ou seja, a formação de
uma linha de 5 e, assim, liberando os alas.



As substituições deram um efeito imediato, já que Asano em
poucos minutos se mostrava, principalmente fisicamente, mais útil e preparado
para os embates do que Ueda. Parecia que, mais uma vez, Moriyasu tinha arrumado
o time no intervalo, porém não foi bem assim.



Apesar do volume inicial no início da segunda etapa, o Japão
voltou a sofrer com o ferrolho costa-riquenho e pouco criou. Nesse sentido,
gostaria de destacar a proteção do centro do campo da seleção da Costa Rica,
com isso anulando Kamada e os meias/volantes (Morita e Endo) o jogo inteiro.



Percebendo que coisas não iam bem, o técnico japonês
realizou uma série de modificações e mudanças na posição dos jogadores, porém
sem mudar a plataforma de jogo do segundo tempo (3-4-2-1 ou 3-5-2). Nesse
sentido, Mitoma entrou como ala (deslocando Soma para direita), depois Minamino
(na prática entrou na posição de Doan) entrou no lugar de Soma e Junya Ito (na
prática entrou na posição do Soma) na de Doan.


(Foto: Bruno Peradotto)

De todas as trocas e mexidas realizadas pelo técnico
japonês, acredito que a de Kaoru Mitoma foi a melhor, já que o ponta/ala tem
algo de suma importância para confrontos desse tipo, que é o drible (1x1).
Aliás, esse foi um problema durante toda a partida, já que os pontas não tinham
campo para correr e não possuíam a iniciativa de driblar a forte defesa do time
da Concacaf.

Aos 81 minutos de partida, quando o jogo parecia se
encaminhar para um fraco 0x0, a defesa japonesa vacilou na entrada da área e o
lateral Keysher Fuller encontrou a única finalização certa da Costa Rica na
partida. O goleiro Gonda deu uma contribuída na situação e a jogo fraco do
Japão foi coroado com a derrota por 1x0.




E agora?
Como será contra a Espanha?

Samurais Azuis lamentam gol sofrido nos minutos finais de jogo
(Foto: Gety Images)

O Japão chega na última rodada precisando de uma vitória
contra a Espanha para não depender dos outros, já que a Alemanha e Espanha
empataram no outro jogo da rodada. Se o Japão empatar com a Espanha e a
Alemanha vencer, a decisão de quem passa irá para os critérios de desempate que
são: saldo de gols, gols pró e confronto direto.



Se o Japão empatar com a Espanha e ocorrer um empate no
outro jogo, o país nipônico, provavelmente, passará de fase já que tem um saldo
melhor do que a Costa Rica. Por último, se o Japão perder a partida para a
Espanha, o time comandando por Hajime Moriyasu estará eliminado da Copa do
Mundo Fifa.



No que tange aos aspectos táticos e anímicos, o Japão não
pode se abater com essa derrota e precisa virar a chave rapidamente. Por outro
lado, o jogo com a Espanha tende a ser mais confortável para a seleção
japonesa, já que, enfim, terá campo para correr e não precisará controlar ou
ter a bola.









SOBRE O AUTOR:







BRUNO PERADOTTO | REDATOR | @brunoperadotto - Apenas mais um entusiasta de futebol e cultura japonesa. Bacharel em Ciências Econômicas e pós-graduado em Gestão de Pessoas, ambas pela PUCRS. Atualmente, um aspirante a treinador pela ATFA (Licença C e B), pós-graduando em Futebol e realizando um bacharel em Educação Física pela UFRGS.




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