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O adeus de uma lenda: Shunsuke Nakamura anuncia aposentadoria

Com uma carreira vitoriosa marcada
por gols antológicos em cobranças de bola parada ao longo de 26 anos, a
carreira de um dos maiores jogadores do futebol japonês chega ao fim

Shunsuke Nakamura atuando com a camisa do Celtic, da Escócia, onde virou ídolo
(Foto: Getty Images)

A mais bela música, assim como a mais saborosa garrafa de vinho, um dia chega ao fim, nada dura para sempre. Tal qual as mais belas histórias, a de Shunsuke Nakamura como jogador de futebol teve um fim anunciado essa semana quando, aos 44 anos, a lenda do futebol asiático anunciou que a atual temporada pelo Yokohama FC será sua última como jogador profissional.

Dono de uma carreira vitoriosa por clubes e seleção, o japonês nascido em Yokohama deu seus primeiros passos como atleta profissional no Marinos em 1997, onde ficou até 2002 e (tendo sido campeão da Copa da Liga em 2001). Sua técnica já chamava atenção no início de carreira e os bons dias no “Tricolor” com seguidas temporadas acabaram gerando especulações em diversos clubes como Reggina, Chievo, Perugia, Napoli, Lecce, Atalanta e até mesmo o todo poderoso Real Madrid, que ventilou a contratação da nova joia nipônica.
O rumo ao futebol no velho continente estava certo e a Reggina foi escolhida após acordo com o clube japonês e a intenção do atleta em começar o sonho europeu com a expectativa de ter o máximo de minutos possíveis. Feito o acordo, o salto na carreira estaria por vir.

 

A Reggina, o primeiro desafio europeu
(Foto: reprodução de internet)

Pela equipe de Reggio Calabria, "Naka" realizou (entre liga e jogos por copas) 86 partidas e marcou 12 gols, dentre os quais muitos foram em bolas paradas, como de costume. Sua estadia em solo italiano durou de 2002 a 2005 e mesmo que sem conquistas, eternizou-se em cada coração “Amaranto” através de belos chutes e jogadas plásticas, o suficiente para ser lembrado com carinho e seguir para um desafio ainda maior: o Celtic FC.


A chegada ao Celtic e o início de uma grande era

Shunsuke Nakamura em sua apresentação no Celtic
(Foto: Getty Images)

Apesar da liga escocesa não poder se comparar a italiana, o Celtic era um clube de elite, de torcida significativa e de relevante tradição no futebol mundial. A ousada mudança visando titularidade em um time de patamar maior (na época Shunsuke chegou a ser especulado no Liverpool, mas recusou) mostrou ser uma atitude acertada ao longo do tempo: com devido tempo de adaptação a nova liga, o japonês cresceu no cenário mundial do futebol, ganhou mais espaço e relevância na mídia, empilhou títulos (tricampeão escocês, bicampeão da Copa da Liga Escocesa e uma Copa da Escócia) e marcou gols antológicos que são lembrados com carinho pelos torcedores dos “The Bhoys” (vide o gol de falta contra o Manchester United na UCL de 2006-07).

Ser eternizado em um dos mais tradicionais clubes europeus não é para qualquer um e Shunsuke Nakamura conseguiu isso através da magia dos seus pés, magia essa que enfeitiçou os escoceses por quatro temporadas (de 2005 a 2009).

O famoso gol diante do Manchester United, um dos mais belos momentos tanto do Celtic quanto da carreira de Shunsuke Nakamura (Foto: reprodução de internet)

A volta ao futebol japonês

A passagem frustrada em solo espanhol ficou no passado quando, ao voltar pro Marinos após oito anos, Nakamura liderou o Tricolor em mais algumas boas campanhas no Japão  (Foto: Getty Images)

Como toda história tem um final, Naka saiu do Celtic e rumou para La Liga, onde por um curto espaço de tempo defendeu o Espanyol. A curta passagem sem muito sucesso se transformou quando o meia decidiu voltar para perto da família ao assinar com o Yokohama F-Marinos em 2010. Apesar da chegada de uma idade mais avançada aliada às lesões, a técnica continuava apurada e ajudou o tricolor de Yokohama a fazer grandes campanhas ao longo das seguidas temporadas da J-League e demais copas locais (tendo vencido a Copa do Imperador de 2013) além de ter vencido prêmios individuais como o "Melhor jogador japonês" e estando no time da temporada no ano de 2013.

 

As desavenças com os novos donos do Marinos fizeram Shunsuke rumar para o Júbilo se encaminhando assim para os últimos lampejos da longa carreira  (Foto: Getty Images)

A volta para casa parecia certeira e mostrava frutos, dando a entender que Shunsuke Nakamura encerraria sua carreira no Marinos, mas algo aconteceu: o City Group (o conglomerado ao qual pertence o Manchester City e diversos outros grupos ao redor do mundo) adquiriu o clube japonês e algumas decisões desagradaram a lenda, que viu isso como "timing" perfeito para seguir outro rumo em sua longa carreira. Todavia a saída já esperada se concretizou em 2017, quando Nakamura rumou para o Júbilo Iwata. A estadia no clube de Shizuoka teve alguns bons momentos, mas sem grande destaque e com cada vez menos minutos temporada pós temporada aliada com o final da carreira, fez Naka mudar de rumo mais uma vez para o clube que poderia ser, finalmente, o último em sua carreira: o Yokohama FC, rival do seu clube de infância.

O último clube, o último suspiro e o fim. O Yokohama FC será sempre lembrado como último clube de um dos maiores camisas 10 de toda a história do Futebol. (Foto: Getty Images)

Fulie foi o clube escolhido por Nakamura para dar seus últimos suspiros como atleta profissional e mesmo sem o destaque de outrora, ajudou com sua experiência enquanto pôde  (sendo parte do elenco que subiu para J1 League em 2019 após 12 anos) até o fim, decretado para o final da atual temporada, em 2022.

Shunsuke Nakamura atuando ao lado de outra lenda; Kazuyoshi MIura
(Foto: Getty Images)
No clube de Yokohama, Nakamura chegou a fazer dupla com outra grande lenda do futebol japonês; Kazuyoshi Miura, que tem passagem pelo futebol brasileiro, inclusive, e hoje - aos 55 anos - ainda pertence ao Fulie mas está emprestado ao Suzuka Point Getters, clube que atua na quarta divisão japonesa. 

 Passagem pela seleção japonesa

Dois dos maiores meio campistas clássicos, Nakamura e Ronaldinho Gaúcho o objeto que trataram com tanta maestria ao longo de suas gloriosas carreiras  (Foto: Reprodução de internet)

Ademais do desempenho por clubes, não podemos deixar de ressaltar a importância de Shunsuke Nakamura para seleção do Japão: ao longo de dez anos e duas Copas do Mundo (2006 e 2010), foram 98 partidas e 24 gols feitos, além dos títulos da Copa da Ásia de 2000 e 2004. Os números falam por si só, assim como as diversas premiações obtidas pelos “Samurais Azuis”, ainda que pese a frustração por não ter disputado a Copa em 2002, algo que em nada apequena a vitoriosa carreira da lenda.

Como uma sinfonia de Beethoven ou um vinho argentino, a carreira de Shunsuke Nakamura pode ser definida como marcada para eternidade. O legado perdurará, por mil ou milhares de gerações, até que pequenos pedregulhos se tornem um forte e consolidado rochedo.








SOBRE O AUTOR:





ANDRÉ RIBEIRO |  @andrevitur - Estudante de Jornalismo pela Estácio e de Serviço Social pela UFF. Social media em Cobblers Brasil e no Samp Brasile, além de redator no jornal O Prefácio, apaixonado por música e pela cultura nipônica.


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