CONEXÃO NIPPO-BRASIL: Musashi Mizushima, Super Campeões e o São Paulo
Meia japonês que atuou no futebol
brasileiro na década de 80 foi uma das inspirações para o protagonista da série
de anime e mangá
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| (Foto: Twitter / @contactoigor) |
Com dedo de Pelé e também de
Maradona, história do jogador se entrelaça com a do famoso personagem Oliver
Tsubasa (ou Tsubasa Ozora, no original), craque e protagonista da série de
mangá Super Campeões (Captain Tsubasa), distribuída entre os anos de 1981 e
1988.
Uma total febre que se
tornou animação naquele mesmo período tinha em seu enredo a trajetória do
protagonista que se aventurava nos gramados japoneses com direito a passagens
no nosso futebol; o mangaká Yōichi Takahashi, o
próprio criador, já afirmou que Tsubasa foi inspirado na estrela argentina
— contudo, não se pode negar
também a “participação” de Musashi Mizushima nesse mesmo pacote. Hoje vamos
relembrar a passagem do atleta em nossas terras.
Como
tudo começou
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(Foto: Twitter / |
Apaixonado pelo esporte e atuante em equipes colegiais para a sua idade, Mizushima teve um “encontro” que mudou toda a sua vida em 1974. Naquele ano, ninguém mais, ninguém menos do que Pelé estava em Shizuoka acompanhando algumas partidas e lançando uma escolinha de futebol. O Rei, que de bobo não tem nada, percebeu que aquele menino em questão se destacava perante os outros. O maior jogador de todos os tempos então entrou em contato com a família do próprio, tentando trazê-los para o Brasil.
Dito e feito: um ano depois, em 1975, o japonês desembarcou no Brasil com sua irmã; no entanto, para a infelicidade do Rei, o Santos, à época, não possuía uma categoria de base ajustada para a idade do garoto. Foi então que Zoca, irmão de Pelé, conseguiu levá-lo para o rival São Paulo.
Aprovado nos testes no Clube da Fé, Mizushima foi inscrito em uma das primeiras turmas (veja a imagem acima). Ele se tornou o primeiro jogador japonês a jogar no Brasil, e em 1978 foi promovido ao Juvenil C com 16 anos, mesmo tendo 14 anos de idade, um feito e tanto, e já tinha seu nome espalhado no país de origem.
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(Foto: São Paulo |
Vale voltarmos ao início da coluna para trazermos Tsubasa novamente ao assunto: na série de Yōichi Takahashi, o protagonista que caminhava no futebol japonês foi descoberto por Roberto Maravilha (Roberto Hongo, na versão original), um técnico e ex-jogador brasileiro de renome. Sob a batuta do treinador, o New Team (equipe do protagonista) é campeão. No decorrer da história, Tsubasa consegue uma transferência para o Brasil, mais precisamente para um clube chamado Brancos (o nosso São Paulo), time em que seu antigo mentor trabalha. Perceberam a referência?
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| Tsubasa se encontra com Roberto (Foto: Youtube / reprodução |
Mas apesar de todo o desdobramento da trama real, Mizushima só disputou uma partida com o Tricolor do Morumbi, em 1985, em um amistoso em Bragança Paulista contra o Bragantino, como era ainda era conhecido naqueles tempos. O São Paulo foi derrotado por 4 a 3 e o japonês iniciou o confronto no banco, mas entrou no decorrer do duelo no lugar de Pintado (atual técnico de futebol).
(O jogador trajado com as cores do São Paulo em uma
propaganda da empresa japonesa Panafacom)
Outras
passagens no Brasil e retorno ao Japão
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| Mizushima atuando pelo Santos (Foto: Lance!) |
Não tendo espaço no time de cima, Mizushima foi emprestado ao São Bento, em 1986. Depois, ainda atuou pela Portuguesa de 1987 a 1988, e finalmente vestiu a camisa do Santos, em 1988 (como na imagem registrada acima). Pelo Peixe, o japonês atuou em duas partidas, e acabou retornando para o São Paulo no ano posterior; entretanto, o jogador comprou o seu próprio passe, rescindiu o contrato e retornou ao Japão.
Ele ainda atuou pelo Hitachi de 1989 até 1991 (clube que mais tarde se transformaria no Kashiwa Reysol) e também no Yokohama Flügels, de 1991 a 1992, encerrando a sua carreira aos 28 anos de idade.
Pós-carreira de jogador
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| Mizushima em sua passagem pela seleção do Tajiquistão (Foto: Diogo Venturelli) |
Do lado de fora das quatro linhas, Mizushima chegou a comandar o Fujieda MYFC por uma temporada em 2014, e em 2019 trabalhou como assistente técnico da seleção do Tajiquistão, inclusive voltando a solo brasileiro em um curioso episódio neste mesmo ano (imagem acima) quando o selecionado Sub-17 do Tajiquistão enfrentou em Osasco o Sub-20 do Audax valendo por um amistoso.






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