Zico: O maior brasileiro na história do futebol japonês
A década de 90 marcou o início da profissionalização do
futebol nipônico que, para alavancar o processo de formação profissional do
esporte, trouxe diversos jogadores renomados (mesmo que em fase final ou em
momento adverso na carreira) de outros lugares do mundo, principalmente
brasileiros. Quis o destino que Arthur Antunes Coimbra fosse um dos quais iria
revolucionar para sempre o futebol no Japão.
| Zico atuando com a camisa do Kashima Antlers (Foto: Getty Images) |
O que seria o iniciar de uma aposentadoria foi aumento da idolatria do “Galinho de Quintino”, só que dessa vez no outro lado do mapa: amado e respeitado por onde passou e ídolo mor do Flamengo, o brasileiro resolveu aceitar o desafio de migrar para o Japão em uma época onde o futebol ainda engatinhava no que diz respeito a ser profissional. Foi no ano de 1991 que Zico migrou para o Sumitomo Metals, atual Kashima Antlers.
Com a estruturação e formação da J-League em 1992, o Kashima era um clube de elite e além de Zico a equipe contava com outros brasileiros (Milton Cruz e Carlos Alberto Santos) em seu elenco. Todavia, mesmo com outros conterrâneos era a estrela de Arthur Coimbra que brilhava mais forte: era o camisa 10, o melhor jogador e líder natural da equipe.
Líder nato e dono de uma |
Apesar de em 1993, edição inaugural da J. League, o sonhado título ter esbarrado no Verdy Kawasaki, Zico conseguiu muito mais do que taças em seu período no Kashima: suas belas jogadas, gols, assistências, um carisma sem igual e enorme respeito por tudo e todos, fizeram do brasileiro não só um dos mais importantes precursores da recém fundada liga japonesa como também uma lenda no país. A gratidão e respeito dos japoneses (principalmente os torcedores do Kashima) é tão grande que além de uma faixa em meio a torcida do Antlers com os dizeres “Spirit of Zico”, o brasileiro tem uma estátua na entrada do Kashima Soccer Stadium.
| À lenda com carinho: uma justa homenagem a um dos jogadores mais importantes da história do Kashima (Foto: reprodução de internet) |
Comandando os Samurais Azuis
Além de toda sua enorme
importância na propagação da J-League, a lenda teve enorme relevância para o
futebol na Terra do Sol Nascente como um todo. Sua relação com o país ficou ainda
mais próxima quando em 2002, após a Copa do Mundo daquele ano, assumiu a seleção
masculina local.
Todavia, a passagem de Arthur
Antunes como comandante dos "Samurais
Azuis" foi marcada por altos e baixos: um desempenho mediano na Copa
das Confederações em 2003 foi seguido do heroico título na Copa da Ásia do ano
seguinte na China (ao bater os anfitriões na grande final) que por sua vez teve
uma nova campanha razoável na Copa Confederações de 2005.
| Zico enquanto comandante da seleção japonesa: muito aprendizado, amadurecimento em conceitos de jogo e uma Copa da Ásia conquistada (Foto: Getty Images) |
O grande desafio de Zico como treinador do Japão veio com a Copa do Mundo de 2006, na qual os japoneses foram com grandes expectativas devido ao trabalho em evolução e com grandes atletas compondo a lista de convocados como as lendas Hidetoshi Nakata e Shunsuke Nakamura além de grandes atletas como Yuji Nakazawa, Junichi Inamoto, Yoshikatsu Kawaguchi. No entanto, Zico e seu estrelado grupo não conseguiram avançar em um grupo que tinha Brasil, Croácia e Austrália, sendo esse o ponto final na carreira do brasileiro comandando a seleção.
Apesar do desempenho ruim no campeonato mundial de seleções, o "Galinho" é tido por muitos como um dos grandes treinadores da seleção asiática por ensinar coisas até então pouco exploradas pelos japoneses como a capacidade de improvisação de jogadas.
| Em 2021 o Kashima lançou um uniforme especial com as cores do Brasil que faz uma homenagem a todos os brasileiros que marcaram sua história (Foto: reprodução de internet) |
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