Um gol aos 45 do segundo tempo tirou a alegria e acabou com os sonhos da nação japonesa
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| O atacante Kazu Miura e outros jogadores japoneses desolados após o empate para o Iraque (Foto: Reprodução / Editorial Puskas) |
Classificar para uma Copa do Mundo, para centenas de países, é a glória máxima que uma geração pode alcançar. Em um sistema eliminatório tão complicado, unir jogadores talentosos, um bom trabalho da comissão técnica e um preparo mental eficiente é extremamente difícil, o que engrandece ainda mais o feito de diversas seleções. O Japão, até a Copa do Mundo de 1998, lutava pela classificação na maior competição do planeta, não obtendo sucesso. Porém, no final de 1993, a vaga nunca ficou tão perto e nunca foi tão traumatizante.
O dia era 28 de outubro de 1993. Na última rodada das Eliminatórias Asiáticas para a Copa dos Estados Unidos, o Japão liderava o grupo com cinco pontos conquistados em quatro jogos. Apenas dependendo de si, o adversário dos japoneses era o Iraque, que ainda corria por fora na busca pela classificação. A única seleção já eliminada antes da disputa da partida final era a Coréia do Norte. O jogo dos Samurais Azuis foi realizado no Estádio Internacional Khalifa em Doha, no Catar.
A partida
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Kazu Miura em disputa de bola com jogador do Iraque (Foto: Getty Images) |
O confronto começou muito bem para o Japão, com um gol de cabeça do atacante Kazu Miura logo aos cinco minutos de jogo. Depois de aberto o placar, os japoneses continuaram pressionando e dominando a partida, gerando outras chances de gol. Após o intervalo, a Seleção Iraquiana voltou mais ligada, e logo conseguiu o empate aos 10 minutos do 2º tempo, graças a um gol do capitão Ahmed Radhi, um ídolo em seu país.
Mesmo com o duelo mais equilibrado, o Japão conseguiu fazer o seu segundo gol, com o atacante Masashi Nakayama aos 25 minutos da etapa final. Porém, quando tudo parecia se encaminhar para a glória japonesa e a classificação para sua primeira Copa do Mundo, Jaffar Omran Salman, aos 45 minutos do segundo tempo, testou forte no canto do goleiro nipônico e empatou o confronto em 2x2. Os japoneses ainda tentaram buscar alguma força nos lances que restavam, mas sem sucesso e com vários deles caindo no gramado ao final do jogo.
Simultaneamente, a Arábia Saudita venceu o Irã por 4x3 e garantiu sua primeira classificação para a Copa do Mundo na história. Assim, Japão e Coréia do Sul (que venceu a outra Coréia por 3x0) ficaram empatados em número de pontos, mas com vantagem para os sul-coreanos por conta de um saldo de dois gols melhor.
Repercussão da partida
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| Jogadores japoneses tristes com o tropeço (Foto: Reprodução / Howler Magazine) |
A partida que culminou na eliminação japonesa ficou conhecida como a “Agonia de Doha”. Depois do resultado, o técnico do Japão, o holandês Hans Ooft, foi demitido da função, sendo substituído pelo brasileiro Paulo Roberto Falcão. O meio-campista Hajime Moriyasu, hoje treinador da Seleção Japonesa, falou como foi difícil aquele resultado: “Não consigo me recordar do vestiário após a partida, nem de ter falado com a imprensa, nem do trajeto do ônibus de volta para o hotel. Eu havia me entregado inteiramente ao meu sonho de disputar a Copa do Mundo. Passamos tanto tempo concentrados que fiquei mais tempo com os meus colegas de seleção do que com a minha família. Eu já conseguia ver a Copa do Mundo bem na minha frente, mas, quando fui pegá-la, ela desapareceu no ar”.
Felizmente, nos anos seguintes, o Japão conseguiu s classificação para a Copa do Mundo de 1998, realizando, finalmente, o sonho de milhões de torcedores em seu país. No entanto, mesmo com o sucesso recente da seleção, o trauma deixado pela “Agonia de Doha” jamais será esquecido e servirá de exemplo para jovens de muitas gerações.
SOBRE O AUTOR:
| VICTOR FRANCO (@victorffardin) - Capixaba, estudante de jornalismo na PUC-SP e amante do futebol alternativo. Fã de um bom pagode e um botafoguense sofredor. Também escrevo no projeto Esporte em Pauta.
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