Há 25 anos, o Japão fazia história em Miami
Na estreia dos Jogos Olímpicos de 1996, a seleção nipônica venceu o Brasil por 1x0
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| O zagueiro Hideto Suzuki disputando uma bola com o craque e capitão Bebeto (Foto: Reprodução / AFC) |
É de conhecimento quase global que a Seleção Brasileira é a equipe mais dominante na história do futebol masculino. Pentacampeão da Copa do Mundo, o Brasil já venceu todas as competições possíveis com o time principal, como Copa das Confederações e Copa América, e nas categorias de base, como o ouro olímpico nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 e títulos mundiais no sub-20 e no sub-17.
Por outro lado, o Japão possui um belo histórico em competições asiáticas, mas não tanto no cenário internacional. Ao todo, a seleção nipônica disputou seis Copas do Mundo, conseguindo chegar até as oitavas de final em 2002, 2010 e 2018. Porém, em 1996, os japoneses conseguiram um feito histórico e superaram essa disparidade técnica.
Nos Jogos Olímpicos de Atlanta, nos Estados Unidos, há exatos 25 anos, o Japão venceu o Brasil por 1x0 na estreia do futebol masculino no torneio, em uma partida que foi realizada no Orange Bowl, em Miami, já que a modalidade possui várias sedes durante as Olimpíadas. Essa vitória foi a primeira do time japonês sobre a Seleção Brasileira em qualquer categoria, seja profissional ou base. O feito só foi repetido em 2019, quando a equipe nipônica venceu o Brasil em um amistoso sub-23 por 3x2 na Arena Pernambuco, em Recife.
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| Comemoração da torcida japonesa com a vitória da sua seleção em 1996 (Foto: Reprodução / AFC) |
O jogo
O Brasil foi para a competição com uma seleção muito qualificada, recheada de grandes jogadores como Dida, Roberto Carlos, Juninho Paulista e Ronaldo, além dos três acima da idade limite: Aldair, Rivaldo e Bebeto. Do lado do Japão, um time mais jovem, sem nenhum jogador acima da idade permitida e apenas seis com 22 anos completos. O destaque era o jovem Hidetoshi Nakata, que futuramente jogou em clubes como Roma, Parma e Fiorentina, e na época brilhava no Bellmare Hiratsuka (hoje Shonan Bellmare) na recém criada J1 League.
O 1º tempo começou bastante agitado, com oportunidades dos dois lados, porém com o Brasil um pouco superior. A melhor chance foi de Juninho Paulista, que recebeu uma bola espirrada após um chute de Flávio Conceição, mas não conseguiu finalizar, já que o goleiro Yoshikatsu Kawaguchi abafou o lance. Na etapa final, o volume do time brasileiro aumentou. Logo aos 20 segundos, Bebeto cabeceou uma bola para fora na segunda trave, após um bom cruzamento de Roberto Carlos.
A pressão da Seleção Brasileira ficou enorme e, conforme o tempo passava, a ansiedade em colocar a bola nas redes só foi crescendo. Ao todo, foram 21 finalizações do Brasil no 2º tempo, incluindo boas defesas de Kawaguchi e uma bola no travessão após o cruzamento de Juninho Paulista. Mas, como diz o ditado popular: quem não faz, toma. Aos 27 minutos da etapa final, Aldair e Dida se atrapalham em um lançamento de longa distância e o meia Teruyoshi Ito marcou para o Japão.
O restante da partida foi de mais pressão brasileira. Kawaguchi pegou uma bela cobrança de falta de Bebeto, Ronaldo (que entrou no 2º tempo) cabeceou uma bola na trave e o zagueiro Hideto Suzuki salvou uma chance em cima da linha após dividida de Aldair.
com o goleiro japonês. Depois de 90 minutos, o árbitro mexicano Benito Archundia apitou o final do jogo e a história foi feita. Uma vitória tão improvável que ficou conhecida por todos como o “Milagre de Miami”. Mesmo com o triunfo, o Japão não conseguiu se classificar para a próxima fase da competição. Porém, a posição final nos Jogos Olímpicos de 1996 pouco importou, já que gerações de japoneses foram impactadas por aquele resultado e viram como o seu país podia bater de frente com qualquer nação do mundo.
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